Por Neirobis Nagae*
"Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução." Leon Trotsky
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Angra em Perigo - Parte I
Por Neirobis Nagae*
Cadê a melhoria no transporte coletivo? Cadê a água? Cadê o turismo?
Será que Angra não merece ensino de qualidade? Será que Angra não merece ter associações de moradores independentes? Será que Angra não merece ter Conselhos Municipais que funcionem com independência? Será que Angra não merece ter funcionários com direito a discordar e a fazer críticas, sem o perigo da perseguição?
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
sábado, 8 de setembro de 2012
Fala tu!!! Cadu Amaral sobre o financiamento privado de campanha
"Empresas
privadas, de qualquer natureza, financiando campanhas transformam
parlamentares e gestores em lobistas de seus interesses. O país
precisa debater mais a fundo essa questão."
A frase é parte do artigo PSDB é assim: não paga as contas, mas financia campanha eleitoral, de autoria dele.
Cadu Amaral, é secretário de Organização do PT em Maceió.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Conceição e a Juventude
Parabéns à toda a Juventude que se mobiliza e dialogo com a sociedade sobre a importância que esse projeto tem para a cidade!!!
Seguiremos organizados e atuantes para JUNTOS CUIDARMOS DE ANGRA!!!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
O papel da Juventude nas eleições de 2012
O debate político sobre juventude
tem tomado cada vez mais proporções maiores dentro do nosso município nos
últimos anos. Consequência disso, é o acúmulo político que alguns partidos e
segmentos organizados da sociedade tem buscado para organizar os seus jovens.
A Juventude do Partido dos
Trabalhadores é um segmento de expressão, organizado e debatedor de políticas
de juventude em Angra dos Reis; sendo reconhecimento como organismo partidário
– com representação na executiva, desde 2010.
O acúmulo de política produzido
desde então nos auto organiza e capacita para dialogar com toda a juventude
angrense sobre a importância que o processo eleitoral da companheira Conceição
Rabha tem para mudar a realidade vivida pela assolada juventude de Angra.
A JPT colabora com o viés
democrático, progressista e revolucionário dos partidos componentes da chapa Juntos
para Cuidar de Angra, que visa melhor a qualidade de vida dos jovens da
cidade através de mudanças estruturais nos serviços de educação, saúde,
esporte, lazer, meio ambiente e trabalho digno. Não aceitamos de forma alguma a
maneira como a juventude angrense é marginalizada e criminalizada diariamente,
seja nas ruas ou nas páginas policiais dos jornais veiculados no município.
A Angra dos Reis que queremos, é
a que dialogue diretamente com as demandas juvenis e que valorize a juventude
da periferia; que crie novas oportunidades para estudantes de nível
médio/técnico e superior, de emprego descente, dê formação cidadã e consciência
ambiental.
Por isso, estamos nos colocando à
disposição para eleger a nossa companheira Conceição!!! Colocaremos todas as
nossas forças, lutas, bandeiras e nosso suor para fazer desse lugar, um lugar
mais justo, fraterno e igualitário.
Juventude do Partido dos
Trabalhadores
Angra dos Reis, 14 de julho de
2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Passeata da Mudança
Na reta final dessa eleições, a militância petista tem o papel Principal de ir às Ruas mostrar as nossas cores e dialogar o nosso projeto com a população!!!
Nessa sexta, dia 31, temos como principal tarefa mobilizar a cidade inteira pra participar dessa grande festa da Democracia!!!
Nossa candidata terá o prestígio de receber aqui o apoio das duas maiores lideranças do nosso partido no estado: o Deputal Federal Luiz Sérgio e o nosso Senador Lindberg Farias!!!
Dia 31 de Agosto - sexta feira
Concentração às 17 horas na Praça do Carmo
#VamosMilitância!!! #LugardeMilitanteénaRua!!!
Concentração às 17 horas na Praça do Carmo
#VamosMilitância!!! #LugardeMilitanteénaRua!!!
#2012é13!!! #ConceiçãoRabha!!!
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
segunda-feira, 2 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
A Democracia Socialista e a construção racial do PT: A disputa da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo, reorganização e novas lutas.
Por Herlom Miguel*
“Nossos
esforços visam construir uma nova correlação de forças, do tamanho da
nossa presença na composição da sociedade brasileira. O primeiro passo
para mudar essa correlação de forças é mudar o PT." Nei Pires
Uma história de lutas na construção do PT
O PT tem um histórico
de muito debate em torno da questão racial. Nós, da democracia
socialista, ajudamos desde as formulações iniciais. Esse legado não é só
nosso. No inicio muitas correntes contribuíram. Muitos militantes
negros, independentes ou organizados em coletivos, sempre reafirmaram a
necessidade do Partido dos Trabalhadores ser formulador e dirigente de
uma revolução que mudasse a vida do povo negro brasileiro.
Lá nos anos 80, nosso povo ajudou, cada um de sua forma, a construir essa história no PT, posso citar:
Nilo Rosa, Samuel Vida, Marcelo Dias (ex Deputado Estadual), Matilde
Ribeiro (ex Ministra da SEPPIR), Samuel vida, Sergio São Bernardo, Jorge
Carneiro e Jorge Almeida. Alguns destes não são mais militantes da
DS, mas continuam aguerridos e foram fundamentais para a opinião
política da democracia socialista e do partido dos trabalhadores. Mais
tarde ajudaram outros nomes, tais como: Edson Portilho (Ex Deputado
Estadual), Gilmar Santiago (Vereador em Salvador), Jorge Senna, Eudes
Xavier (Deputado Federal), Creuza Maria, Bira coroa(Deputado Estadual),
Bia Santiago, dentre outros valorosos. Está no DNA do PT
participação da DS desde seus primeiros textos e reuniões propondo uma
plataforma de construção democrática e negra que reafirma a necessidade
de políticas afirmativas para o Brasil. Todos esses militantes
construíram o nosso partido para fazer luta anti-racista.
Nos anos 90, a DS
possuía parlamentares, militantes e uma ação organizada na disputa do
setorial de combate ao racismo do PT. Construímos uma intervenção sempre
organizada pelos acúmulos históricos, principalmente do MNU – Movimento Negro Unificado.
Ainda nos anos 90,
houve um nítido enfraquecimento da centralidade da participação das
negras e negros da DS no MNU. Além disso, o PT entra em uma agenda
institucional pesada a partir do primeiro ano do governo Lula. Com isso,
a democracia socialista teve refluxo, limitações e enfraqueceu-se no
movimento negro.
Mais recentemente
vieram outras vitórias. Podemos citar: A experiência na participação da
Secretaria Municipal da Reparação em Salvador, a participação na SEPPIR e
no primeiro conselho organizado pela SEPPIR. Tudo isso, nos deixou
experiência, resultados e algumas respostas.
Reorganização das negras e negros recomeça a partir da juventude.
Com a efervescência
da auto-organização da juventude negra, somado à nossa qualificada
atuação no movimento estudantil, se instaurou um terreno fértil para
rearticulação das negras e negros da DS, agora, pelas mãos da juventude.
O retorna da agenda organizativa ocorre em 2007, com a
fundação/construção do coletivo nacional enegrecer. O coletivo
foi fundado por jovens da DS e independentes que militavam no movimento
estudantil de seus estados. Mais tarde, estávamos organizados na Bahia,
Rio de Janeiro, Pernambuco, Alagoas, Tocantins, Pará, Rio Grande do Sul e
no DF. Com esse processo, reiniciamos o debate inicial de unidade de
ação, programática, tática e de reconstrução da pauta racial da
Democracia Socialista. Hoje, são poucos os estados onde não há militante
do Enegrecer organizado. A partir desses contatos, foram reorganizadas
políticas e ações nacionais unitárias e combinadas. Essa unidade
refletiu nas vitórias que comemoramos hoje.
Organizamos com
outras organizações todos os ENUNEs – encontro de estudantes negros e
negras da UNE, participamos do conselho nacional de promoção da
igualdade racial, estivemos no ENJUNE e montamos uma agenda de
auto-organização.
A X conferência
nacional da democracia socialista e a redefinição da centralidade da
revolução democrática: a conferência negra da ds e o ativo nacional de
negras e negros da democracia socialista.
Nos marcos do início
de mais um governo do PT, a democracia socialista fez uma conferência
onde muitos avanços foram identificados. Avançamos para ampla
participação de negras e negros na corrente, montamos uma direção
paritária, reafirmamos a necessidade da auto-organização de negras,
mulheres, lgbtt e jovens. Além disso, solidificamos a opinião de que a
centralidade da revolução democrática deve ser o combate ao racismo.
Nesta conferência, reconhecidamente a maior conferência negra da
corrente, organizou-se uma agenda nacional e foi convocado o ativo
nacional de negras e negros da democracia socialista.
Em março de 2012,
aconteceu em Salvador o ativo nacional de negras e negros da democracia
socialista. Durante todo este espaço, debateu-se temas relevantes à
reorganização da unidade nacional do debate de negras e negros do PT.
Necessidade de apresentar uma alternativa de funcionamento, método e
direção política para a Secretaria. Ao mesmo tempo, montou-se uma agenda
nacional de diálogos com setores da CNB, Mensagem ao Partido e diversos
segmentos internos do PT. Esse movimento nos permitiu montar uma tese
atual, crítica e coletiva.
A disputa da Secretaria, percalços, acusações e a reeleição de Cida Abreu
A disputa recente
para a Secretaria foi muito acidentada. As candidaturas de oposição não
tiveram acesso às informações ou estrutura para fazer campanha. Todos os
delegados de São Paulo foram excluídos da etapa nacional, delegação a
qual a Candidatura da Matilde Ribeiro era hegemônica.
Existiam três chapas
maiores. Uma conduzida por Cida Abreu, outra por Matilde Ribeiro, ambas
militantes da mesma corrente interna do PT, e uma terceira organizada em
torno de Nei Pires. Essa chapa era notadamente de oposição. Durante o
encontro, o jogo foi o mesmo da campanha. Reforço aqui minha
solidariedade à candidata Matilde Ribeiro, mulher que foi ultrajada e
sofreu penalidades enquanto ministra, por defender e acreditar em um
projeto político. De lá para cá, avalio ter sido a melhor dirigente que
esteve à frente da SEPPIR. Seu trabalho tem reflexos positivos até
hoje, em dias de inércia dos novos dirigentes. O encontro nacional
deu-se com pouco debate político e com pouquíssima participação dos
delegados. Ao menos, dos que não eram dirigentes ligados ao processo.
Alguns saíram do Encontro sem saber a opinião da atual secretária sobre a
participação da SEPPIR no governo, a diminuição da presença dos negros e
negras no primeiro escalão, a relação da Secretaria com os movimentos
socais e sobre uma agenda para eleger ou ajudar na formação de uma chapa
mais negra em 2012 . Nenhuma mesa foi paritária, destaco. Em nenhum momento a chapa de Cida Abreu fez algum esforço para ampliar o diálogo.
A chapa se organizou para tentar imprimir uma derrota pela quantidade
de delegados, não se esforçando para construção de mediações ou
consensos. Com tudo isso, Cida Abreu foi reeleita.
Os revolucionários deixam uma mensagem ao partido
O Novo Brasil não
será construído com técnicas arcaicas. A candidatura da chapa "Combate
ao Racismo no Centro da Revolução Democrática" deixou algumas mensagens.
A primeira mensagem é sobre uma nova cultura política.
Os setoriais estaduais são desvalorizados. Muitos setoriais não possuem
uma sala ou telefone. No Brasil, com essa população negra enorme, as
Secretarias de Combate ao Racismo não possuem direito a voto. Mais
ainda, nem a condução, nem a política e nem as direções tem ampla
participação negra. Estamos disputando o quê? Vale mesmo disputar de
qualquer forma contra nós mesmos? Fizemos debate limpo, franco e com
poucos recursos. Tentamos construir unidades e uma pauta política
consensual para defendermos todos juntos. Essa seria a maior vitória
deste encontro. Não foi dessa vez.
Mesmo assim, a
candidatura de nossa chapa nos instituiu atributos em várias
perspectivas. Centralizou um debate nacional entre vários coletivos
secundarizados no PT sobre o setorial, sobre suas contribuições, debateu
o aperfeiçoamento das estruturas das secretarias estaduais de combate
ao racismo, apresentou uma alternativa de método e de prática política
para a condução nacional do Coletivo. Enfim, organizou uma qualificada oposição reafirmando um PT socialista, anti-racista, anti-homofóbico e feminista.
A candidatura de
Ivonei Pires nos deixou uma agenda nacional de organização. Serviu
também para reorganizar a correlação de forças interna da militância
negra do PT. Além disso, esse campo se estabelece como segundo maior
campo nacional. Aproveito também, para parabenizar o companheiro Nei
Pires pela segurança, temperamento, capacidade de articulação e método
na condução. Sua trajetória ganhou mais alguns elementos positivos.
Tivemos muitas
vitórias e devemos comemorar. A nossa chapa foi composta por várias
organizações e terá dois representantes na próxima gestão. Para estes
novos coletivos, desprendemos o anseio em expandir nosso respeito,
parceria e compromisso de fazer gestão e política coletivamente.
É fundamental também
falar de nossas vitórias por todo o Brasil. Agora, nosso campo participa
de diversas secretarias estaduais reais. Tivemos delegação em vários
estados importantes do país. Aqui, quero refletir a importância da
participação de nossa militância do Rio Grande do Sul e da eleição do
companheiro Marcio. Respeito e admiração também para o nosso coletivo de
Pernambuco, cidade sede e militância aguerrida que tanto nos ajudou.
Agradecimentos também, aos companheiros do querido Tocantins, que por
motivos de não utilizarem da política antiquada, não participaram do
Encontro, onde possuímos muito potencial e militância negra organizada.
Vida longa ao PT. Boa
sorte Ivonei Pires! Para nós, muita luta para alcançarmos as próximas
vitórias. Avante PT e para construir uma verdadeira revolução
democrática, marchemos.
*Herlom Miguel é membro da Coordenação
Nacional de Negras e Negros da Democracia Socialista e militante do
Coletivo Nacional Enegrecer.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
NOTA DA KIZOMBA EM SOLIDARIEDADE À GREVE DOS/AS TRABALHADORES/AS DA EDUCAÇÃO
No
momento em que a sociedade caminha para o final das discussões sobre o
Plano Nacional de Educação (PNE), apontando metas para a educação
brasileira nos próximos dez anos, ficam nítidos os enormes desafios para
superarmos um histórico de descaso e sucateamento da educação pública.
A baixa qualidade da educação básica; as enormes defasagens entre idade
e série cursada em todos os níveis de ensino; a insuficiente quantidade
de jovens no ensino superior; o descaso com os profissionais da
educação; o descumprimento do piso salarial nacional e ausência dos
planos de carreira são alguns exemplos que fazem com que a nossa
educação seja ainda muito atrasada e aquém das necessidades de
desenvolvimento e bem-estar da sociedade brasileira.
É fundamental ampliar a prioridade e o peso da educação para avançarmos
em mais conquistas para o povo brasileiro. A garantia de um patamar
equivalente a 10% do PIB para educação pública e 50% do Fundo Social do
pré-sal e dos royalties do petróleo são decisivos para um financiamento
que garanta mais expansão e mais qualidade em todos os níveis. Mas é
necessário também reestruturar a educação brasileira, que ainda reflete
as reformas realizadas no período da ditadura militar e aprofundadas sob
os ditames do neoliberalismo.
É nesse contexto que nos
solidarizamos com a greve iniciada pelos/as trabalhadores/as da
educação, professores e técnicos administrativos, e que já conta com a
adesão de 40 universidades. Acreditamos que a classe trabalhadora se
fortaleceu nesses últimos anos e, por isso, estão abertas possibilidades
de novas lutas e vitórias.
As conquistas para a classe
trabalhadora são frutos de muito suor e luta. A Kizomba, corrente
política que atua em diversas universidades e escolas, se soma a essas
lutas. Orientamos a nossa militância a incentivar o debate com o
conjunto dos/as estudantes, contribuindo para a politização das pautas
da greve e aderindo a elas sempre que necessário.
São Paulo, 22 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Combater a homofobia: Uma Nova cultura política para um Estado laico e uma educação livre de preconceitos
O dia 17 de maio é, amplamente reconhecido como, o dia internacional
de combate à homofobia. É sobre a vida, a solidão, a liberdade e a
justiça que me debruço.
Não há fuga ao regime do medo para os fora da norma heterossexista.
Em um tempo em que as narrativas sobre hegemonia ou binarismos de poder
foram desafiadas por seu caráter totalizante, vivemos sob uma ditadura
binária em matéria sexual: a norma heteressexual oprime todos que não a
reconhecem como legítima. A homofobia é um dos dispositivos de
garantia da ordem heteronormativa.
Por homofobia, entendo toda expressão do ódio, da repulsa, da
injúria, da agressividade e da violência contra os fora da norma
heterossexual. A norma heterossexista que, falsamente pressupõe um
destino nos órgãos sexuais, é uma das expressões mais brutais da
discriminação pelo corpo.
A homofobia mata, segrega e oprime. Causa uma das maiores
inquietações pelo corpo – o de habitar-se sem se reconhecer como
legítimo ao olhar do outro. Uma criança, um adolescente ou jovem
lésbica, gay, bissexual, travesti ou transexual experimenta a solidão.
Não é a toa que a analogia do armário é tão poderosa.
Mas o armário não é só o segredo diante do outro e, talvez, de si
mesmo: é principalmente viver em um próprio corpo embalsamado pelo medo e
pela vergonha. O cadeado do armário está nas mãos dos homófobos; e
tristemente eles podem ser os pais, irmãos, avós, vizinhos, professores
da escola ou da universidade, pessoas que deveriam oferecer o direito à
igualdade. Eles são os legisladores e a mão armada para o controle da
norma heterossexista.
Sob uma perspectiva política, não basta ser humano para ser digno de
luto. Sem o reconhecimento da vida, não há reconhecimento da violência
ou da perda. As vítimas da violência homofóbica não são pessoas
reconhecidas como dignas de luto ou seres com vidas que valem a pena ser
vividas. São assassinados pela repulsa homofóbica, pela fúria dos
homófobos que imaginam que a vida social seria mais rica e justa sem
suas existências.
A homofobia sempre deixa marcas, sejam as feridas no corpo, o cadáver ou as barreiras do reconhecimento.
A superação da homofobia tem desafios imediatos, outros ainda maiores
que, devem ser construídos cotidianamente a partir de uma nova cultura
política que, tenha a liberdade e igualdade sexual como pressuposto
político, ideológico e pratico.
O desafio de estabelecer um Estado laico de fato é um dos que caracterizo como imediato.
Laicidade é um dispositivo jurídico que garante a neutralidade dos
atos oficiais do Estado e das instituições públicas. A laicidade do
Estado tem, pelo menos, dois compromissos éticos e políticos: nenhum
grupo religioso será perseguido e a liberdade de crença será garantida a
todas as pessoas. É pelo dispositivo da laicidade que a pluralidade
religiosa e moral de uma sociedade se anima. Em um Estado laico, há
crentes religiosos e não-crentes religiosos. Há religiões no plural; e
crenças no superlativo. Não falo apenas de religião, mas de crenças
cujas matrizes filosóficas podem ser tão diversas quanto à criatividade
humana.
Destaco que, não há anterioridade do fato religioso à ordem jurídica.
Isso significa que as religiões devem se submeter à ordem jurídica
democrática como todas as outras comunidades, como é o caso, por
exemplo, dos partidos políticos ou dos movimentos sociais
Nem religião, nem o humor – dois espaços onde a tese da liberdade de
expressão é utilizada para justificar discursos abjetos – são campos
livres do respeito dos direitos humanos, nenhum grupo social se localiza
fora do ordenamento jurídico constitucional.
A liberdade de expressão não se confunde com discurso de ódio. O que
há por trás da falsa tese da liberdade de expressão religiosa é um
desrespeito à integridade e à dignidade das pessoas que se apresentam
fora da norma heterossexual. Ao contrário da tese de liberdade de
expressão, descrevo essas práticas e discursos como homofobia.
Religião, ou qualquer outra crença de caráter associativo, não é um
passe livre para a violação dos direitos humanos. É a laicidade do
Estado o que garante que práticas discriminatórias não serão acobertadas
pelo direito à liberdade religiosa: as crenças devem se subordinar aos
princípios da cultura dos direitos humanos – esses últimos, os únicos
universais para a ordem política. Como qualquer outra prática social,
as religiões devem se submeter às regras do político, do justo e da
igualdade. Por isso, não tenho dúvidas em afirmar que não há liberdade
religiosa que autorize a homofobia.
Neste sentido, a escola e a universidade devem ser espaços laicos e
livres de preconceito, prioritários para as ações duradouras de promoção
da igualdade. A educação mira o futuro, além de atuar no presente é
nela que nosso principal esforço para a igualdade sexual precisa estar.
Para a superação da homofobia, a educação tem que se dar em um espaço
que promova valores compartilhados para a cidadania e rompa as amarras
da resistência homofóbica e heteronormativa que ronda as ações de
igualdade sexual. A homofobia está nas escolas, assim como na Avenida
Paulista ou nas igrejas.
A liberdade sexual é um valor fundamental à ordem jurídica e por isso
deve estar traduzida em ações e iniciativas pedagógicas. Educação
sexual livre de preconceitos é uma delas.
No dia que em luta, aludimos o combate à homofobia, desafiemo-nos a
construir uma nova cultura política, uma sociedade libertária,
solidária, multi-étnica e com liberdade e igualdade sexual. Que as
crenças, o ódio, a repulsa, o preconceito e a discriminação não refugiem
nossos jovens, não matem nossos amigos, não nos torne cada vez mais
desiguais.
*Amanda Jaqueline Teixeira Militante da Democracia Socialista
Fala Tu!!!! Dilma e a Comissão da Verdade
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Dilma chora durante discurso sobre Comissão da Verdade
O Brasil merece a verdade. Grande conquista do Governo Dilma e da sociedade brasileira.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
CARTA DO RIO DE JANEIRO
Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Miséria pela ótica do Movimento Negro
Reunidos no seminário “Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da
Pobreza pela ótica do Movimento Negro”, preparatório para a Conferência
Rio + 20, realizado nos dias 28 e 29 de abril no Rio de Janeiro, nós do
Movimento Negro brasileiro declaramos que envidaremos todos os esforços
necessários em defesa do povo negro, dos povos indígenas e dos povos
vítimas do racismo, discriminação racial, xenofobia e diversas formas de
opressão e intolerâncias.
Uma síntese dos
indicadores sociais produzidos por diversas agências de pesquisas como a
Fundação Instituto Brasileiras de Geografia Estatística (IBGE),
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Organização das Nações
Unidas (ONU) dentre outras, nos permite afirmar que nos últimos 10 anos,
quase 22 milhões de pessoas saíram da situação de pobreza extrema,
graças aos programas sociais do governo. Hoje, no Brasil, 20% das
famílias vivem de programas de transferência de renda através dos
recursos públicos como aposentadorias, “bolsa família” e assistência
social.
No entanto, cabe considerar que a população
brasileira extremamente pobre, ou seja, aquela que sobrevive com menos
de um dólar por dia, é estimada em 16 milhões de habitantes, dos quais
9,6 milhões ou 59% estão concentrados no Nordeste. Do total de
brasileiros residentes no campo, um em cada quatro se encontra em
extrema pobreza (4,1 milhões de pessoas ou 25,5%). 51% têm até 19 anos
de idade. 53% dos domicílios não estão ligados a rede geral de esgoto
pluvial ou fossa séptica. 48% dos domicílios rurais em extrema pobreza
não estão ligados a rede geral de distribuição de água e não tem poço ou
nascente na propriedade. 71% são negros (pretos e pardos). 26% dos que
tem 15 anos ou mais, ou seja, 4 milhões são analfabetos.
A realidade vivida pelas comunidades quilombolas no Brasil e pelas
comunidades religiosas de matriz africanas e pela maioria negra, não
parece ser muito diferente da época do Brasil escravocrata. É diante
desse quadro, que o Movimento Negro brasileiro realizou o Seminário
“Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Pobreza”, nos dias 28 e 29
de abril, com o objetivo de preparar a militância negra para participar
da Cúpula dos Povos, na Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, que será realizada em junho de
2012, na cidade do Rio de Janeiro.
Entendemos que o
agravamento das questões ambientais tem atingido significativamente as
comunidades negras, submetendo-as a um quadro de injustiça ambiental
alarmante.
Em quase todos os indicadores econômicos e
sociais, observamos a ampliação do abismo social entre negros e brancos
com relação a emprego, renda, escolaridade, acesso à justiça, poder. O
drama social acomete com maior gravidade a população negra, que habita
as favelas e periferias desestruturadas, torna-se presa fácil da
criminalidade, assiste seus jovens serem mortos pela violência urbana e
nega oportunidades de mobilidade social.
Cerca de
50 mil brasileiros são assassinados por ano. Contudo, essa violência se
distribuiu de forma desigual: as vítimas são, sobretudo, jovens negros
do sexo masculino, entre 15 e 24 anos. O Índice de Homicídio na
Adolescência (IHA) evidencia que a probabilidade de ser vítima de
homicídio é mais do dobro para os negros em comparação com os brancos.
Temos assistido um silencioso massacre dos quilombolas pelas empresas
construtoras de hidrelétricas, grandes proprietários de terras,
latifundiários que roubaram as terras dos povos indígenas e dos
quilombolas e mineradoras que cada dia mais avança suas minas sobre os
territórios quilombolas e envenenam as terras com pilhas de rejeitos e
resíduos tóxicos. O terror do racismo no espaço rural se agrava ainda
mais com quilombolas sendo ameaçados de morte, comunidades sendo
manipuladas para assinarem documentação de venda ou cessão de terras com
o beneplácito das polícias estaduais.
O capitalismo
é o grande responsável pelas crises econômica, alimentar e ambiental. O
modelo de produção e consumo capitalista é incompatível com a
preservação ambiental, como o uso coletivo das riquezas naturais e com a
justiça social.
Os verdadeiros responsáveis pela
devastação das florestas, pela poluição dos rios, mares, pela degradação
dos biomas e insustentabilidade urbana em todo planeta são os países
imperialistas e colonialistas, por isso afirmamos que os nossos povos
não são responsáveis por tamanha espoliação dos seres humanos e da
natureza. Não apoiamos o principio da responsabilidade comum, pois cabe
aos países ricos o principal ônus da preservação. São nos países pobres e
em desenvolvimento que encontramos a maioria dos povos vítimas da
degradação ambiental, vítimas do racismo ambiental.
O
Movimento Negro brasileiro compreende os quilombos como verdadeiros
territórios de resguardo da biodiversidade, como verdadeiras escolas de
diversidade cultural. No diálogo do Movimento Negro com povos e
comunidades tradicionais de matriz africana, fica cada vez mais
fortalecida de a idéia de que nós não somos responsáveis pela crise
ecológica, pela pré-agonia dos nossos ecossistemas como a Amazônia e o
Cerrado ou que restou da nossa Mata Atlântica.
Muito
pelo contrário, o nosso ponto de partida é a cosmovisão de mundo
negro-africana que tanto para as comunidades quilombolas quanto para os
povos e comunidades tradicionais de matriz africana, a terra é concebida
como território de reprodução cultural vivo, e portanto sagrado, ao
contrario da lógica dos tecnocratas eurocêntricos , que vê a natureza
apenas como fator de produção e lucro, matéria prima morta e os seres
humanos como mercadoria e objetos de descarte.
É com
a perspectiva de perceber a biodiversidade como um direito é que o
Movimento o Negro buscará ampliar o debate no campo da ecologia política
e dos direitos étnico raciais, onde diversas temáticas como o
desenvolvimento sustentável, racismo ambiental, justiça e ética
ambiental se interpenetram.
No centro das nossas
reflexões impõe-se a critica a denominada “economia verde”, cujo eixo
principal tem sido a mercantilização da natureza por parte do Capital. A
adoção de políticas como: sequestro de carbono, privatizações das
águas, do subsolo, fazem parte das estratégias de venda de bem público,
que são os elementos da natureza, como “serviços” que são passíveis de
privatização.
Consideramos que a “economia verde” é
uma falsa saída para a crise ambiental e ecológica, porque os países
ricos para não abrirem mão de sua qualidade de vida e consumo propõe
implicitamente um desenvolvimento sustentável aos pobres, que na prática
transforma o principio ecológico da sustentabilidade em merchandising, e
transforma os recursos da natureza e os direitos dos povos em
mercadorias, e assim mantém a desigualdade na posse e uso das riquezas
naturais.
O Movimento Negro não concorda com isso.
Lembremo-nos da África do Sul nos tempos do Apartheid onde a água era
dos brancos e não um bem público. Portanto, vamos intensificar o
diálogo com a nossa população para a importância da Cúpula dos Povos na
Rio + 20 e a articulação com os povos indígenas e os movimentos sociais,
buscando a construção de pontes e pontos de convergência.
Exigimos que o Estado brasileiro utilize sua influência política na
Conferência Rio + 20 em defesa dos povos e nações pobres e em
desenvolvimento, que defenda sua população vítima da ganância da elite
capitalista brasileira e dos conflitos ambientais, destacadamente, as
comunidades quilombolas, as comunidades religiosas de matriz africana,
as comunidades tradicionais e das periferias dos grandes centros
urbanos.
Enquanto militantes e cidadãos, não
podemos, e não vamos permitir que o racismo nos submeta a violência
simbólica e física, e que inclusive destrua o nosso legado ancestral e
espiritual africano. Esse legado é libertário, ecológico e sagrado. A
nossa emancipação é a tomada da consciência negra, dos nossos direitos
enquanto sujeitos de nossa história, cuidadores do planeta Terra.
Rio de Janeiro, 29 de abril de 2012.
MNU – Movimento Negro Unificado
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira
AMNB - Articulação de Mulheres Negras Brasileiras
FÓRUN NACIONAL DE MULHERES NEGRAS
CEAP – Centro de Articulação de Populações marginalizadas – RJ
ENEGRECER – Coletivo Nacional de Juventude Negra
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade.
CONAQ- Coordenação Nacional de Quilombos
CNAB - Congresso Nacional Afro-Brasileiro
CIRCULO PALMARINO
REDE AMAZÔNIA NEGRA
ANCEABRA – Associação Nacional de Empresários Afro Brasileiros
CONAMI- Conselho Nacional de Mulheres Indígenas
APNS - Agentes de Pastoral Negro
SOWETO – Organização Negra - SP
SECRETARIA NACIONAL DE COMBATE AO RACISMO DA CUT
INTECAB – Instituto da Tradição e Cultura Afro-Brasileira
MONER
OFARERE MOVIMENTO AFRORELIGIOSO
Omokorins do Ilê de Oxaguian - MG
IPAC - Incubadora Afro Brasileira – RJ
AFRO BRASIL
CEDINE – Conselho Estadual de Direitos do Negro - RJ
INSTITUTO DO NEGRO PADRE BATISTA
ASCEB
MAMATERRA
BAZAFRO
CRIAR
REDE ALIMENTAÇÃO ECOSOL – BAHIA
CONAM NACÃO BLACK
GAICUNE - RJ
TJ NEGRO
COJIRA – RIO
NEGRA SIM
FENAFAL
ASHOGUN
NUCLEO DE COMUNIDADES NEGRAS DE OSACO
CEN - COLETIVO DE ENTIDADES NEGRAS
IGERE – MG
DANDARA MULHERES DO CERRADO
SINTERGIA – RJ
quinta-feira, 3 de maio de 2012
O PT e a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo
*Ivonei Pires
Desde que foi criada, a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT (SNCRPT) cumpre um papel decisivo de diálogo com os movimentos sociais para direcionar e influenciar na instância partidária as questões centrais sobre promoção da igualdade e combate ao racismo no País.
Desde que foi criada, a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT (SNCRPT) cumpre um papel decisivo de diálogo com os movimentos sociais para direcionar e influenciar na instância partidária as questões centrais sobre promoção da igualdade e combate ao racismo no País.
Ainda
hoje, inegavelmente, é um tema que atinge a classe trabalhadora, como
se consagrasse o encontro histórico da construção do Movimento Negro no
Brasil e o nascimento do Partido dos Trabalhadores. A grande
efervescência dos anos 70 descambou em marcos de luta na organização
sindical, dos trabalhadores, da cidadania, da democracia e das chamadas
‘minorias’.
Enquanto
iniciavam os debates sobre a fundação de um partido que tivesse ampla
participação dos movimentos sociais e dos trabalhadores e trabalhadoras,
os negros atiçavam na Bahia a fundação do Bloco Afro Ilê Aiyê e, no
País, a criação do Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação
Racial, entre outras ações.
Desde
seu surgimento, o PT tem sangue e suor da militância negra, com toda
diversidade das organizações do movimento negro. Esse é um patrimônio
nosso: a despeito dos debates e disputas programáticas das denominações,
conseguimos incorporar ao programa do PT ações e formulações que faziam
parte da luta política comum a todos do movimento.
O
objetivo da nossa SNCRPT deve ser ajudar os coletivos estaduais,
construindo intervenções propositivas e, com base em dados concretos,
fortalecer e retomar seu protagonismo interno no PT para dar
centralidade nas formulações em defesa de um Brasil onde mulheres e
homens negros acessem políticas públicas, direitos, serviços e o poder.
Decerto
que louvamos os avanços alcançados pelos governos do PT, sobretudo o
resgate da dívida social, com divisão de renda, ascensão da classe
trabalhadora, participação popular, acesso à educação e expansão da
participação da população negra na universidade, além de oferta de
serviços que são direitos essenciais, como a chegada de água e energia
elétrica onde antes se convivia com a seca e a escuridão.
Contudo,
o povo Negro continua sofrendo com a iniquidade no sistema de saúde e
no mercado de trabalho; a mulher negra ainda é subjugada duplamente por
uma sociedade machista e branca; a juventude negra segue exposta à
cooptação pelo tráfico de drogas ou ao extermínio imposto por milícias
clandestinas nos grandes centros urbanos.
O
racismo está na nossa sociedade entranhado em normas, práticas e
comportamentos. Aprofundar esses debates no PT é fundamental para
alcançarmos mais vitórias para o povo Negro e intensificarmos a
formulação das políticas afirmativas em nosso país.
O
debate racial no Brasil precisa do PT. Precisamos de uma movimentação
que inclua e identifique os avanços, sem negar alterações crucias pelas
quais o País precisa passar. Construir um partido nos marcos do
feminismo, da luta anti-homofobia e do combate ao racismo requer debate,
formação e muita persistência.
*Ivonei Pires é Bacharel em Direito, Assessor da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Assemleia Legislativa da Bahia e ex Secretário Estadual de Combate ao Racismo do PT\BA.
domingo, 29 de abril de 2012
Por que defendemos cotas raciais
O Racismo no Brasil
Para compreendermos o processo de formação da sociedade brasileira, é
preciso entender que o racismo foi ideologia fundamental para a
manutenção do Estado que se pretendia formar, isto é, não ocorre
processo colonialista sem racismo.
O racismo sempre foi
instrumento para manter a dominação, subjugando a todos que estão sob
esse véu. O racismo é resultado da epistemologia européia a serviço da
dominação sobre os outros povos. O racismo como o vivenciamos dia-a-dia é
um conjunto de ações e intenções que marcam as relações sociais entre
os indivíduos, e tem em sua fundamentação a superioridade de uma raça
(branca) em detrimento de outra (negra e/ou indígena, etc).
É
importante destacar que o contexto raça usado para fundamentar a nossa
discussão é apresentado na perspectiva sociológica, ou seja, que raça
existe em nossa contemporaneidade e é fruto de um conjunto complexo de
fatores culturais e históricos, que, sim, foi balizador e critério para
configurar a divisão social do trabalho no período colonial e nas
ocupações dos diversos espaços de direção e poder de nossa sociedade.
As desigualdades raciais existentes em nosso país têm em suas bases uma
estreita relação com a estruturação em classes de nossa sociedade. Em
uma sociedade regida por uma democracia liberal, amparada em preceitos
burgueses, o preconceito racial cumpre novas funções e ganha novas
formas de aplicação, ainda mais eficientes no intuito de manter negras e
negros fora dos espaços de formação e conhecimento que possam garantir
algum tipo de ascensão social.
O negro e a negra na universidade brasileira
Atualmente, o acesso à universidade pública se dá por meio de um
processo de seleção no qual a maior parte dos aprovados são estudantes
egressos de escolas privadas ou que possuem recursos necessários para o
custeio de cursos preparatórios ao exame de admissão.
Como
sabemos, a população negra é maioria da população pobre e/ou miserável
de nosso país, o que cria uma dinâmica de inversão proporcional no
processo de inclusão no ensino superior público no Brasil. Defender a
presença cada vez maior e efetiva de negros e negras na universidade
pública brasileira, para nós, é positiva, imprescindível e estratégica
para combater o racismo e fortalecer o processo democrático.
O
sistema educacional, políticas curriculares e bases teóricas que
fundamentam a produção cientifica no Brasil são construídas a partir de
bases e referencias eurocentradas, não respeitando a diversidade étnica
que compõe a realidade da população brasileira.
Políticas de cotas de raciais
Nos últimos anos, é intensa a discussão acerca da emergência da
aplicação de políticas de ações afirmativas na educação superior
brasileira. Tais discussões visam a reparar aspectos discriminatórios
que impedem o acesso de pessoas a uma maior “sorte” de oportunidades
Para nós, do movimento negro, a importância dada às ações afirmativas,
em especial, a política de cotas raciais nas universidades públicas, é
instrumento estratégico para alterarmos o estado das coisas, na
sociedade racista em que vivemos. Pressionar o poder público a fim de
aprovar essa política como parte integrante do texto constitucional vem
sendo tarefa de todos nós, negras e negros consequentes.
Não
somos alheios ao fato de que a igualdade formal, tão cara à concepção de
Estado moderno, que visa a consagrar a igualdade de todos e todas
perante a lei, não é aplicada em sua acepção prática, não correspondendo
com o real sentido de sua existência.
Apresentar perspectivas
que apontem para as políticas de cotas raciais, teor de
inconstitucionalidade, reforça cada vez mais as críticas e
questionamentos que nós dirigimos ao conceito de igualdade apresentada e
defendida pela democracia liberal.
Quando observamos a
constituição federal em seu artigo terceiro, em que se elencam os
objetivos da República, tais como a construção de uma sociedade livre,
justa e solidária; a garantia do desenvolvimento, a erradicação da
pobreza e a promoção do bem para todos e todas sem preconceito de
origem, raça, sexo, cor, idade e quailquer outra forma de discriminação;
podemos ver o quanto as políticas de cotas raciais para ingresso nas
universidades públicas, possui forte conteúdo democrático e amplo apelo
constitucional.
É preciso enegrecer a universidade
É
papel da universidade fomentar a importante e indissociável articulação
entre o ensino, a pesquisa e a extensão, exigência intrínseca para a
constituição de um centro de ensino que, de fato, exerça a sua função de
produzir conhecimento e tecnologia de fato úteis para a sociedade
brasileira.
Uma universidade que, aliando a prática pedagógica e
a produção do conhecimento científico, não se ativer ao novo momento
histórico que vivemos, diferente e desafiador, e que cada vez mais
reclama para si a busca pelo fortalecimento da democracia, não terá
êxito na sua missão de transformação e contribuição para a instauração
de uma nova consciência e fortalecimento da cidadania.
Assim
como é importante a inclusão dos negros e negras nos bancos escolares do
ensino superior, também se faz necessário e imprescindível para a
universidade a presença e permanência destes.
A efetiva e
militante presença dos negros e negras na universidade pública garantirá
um redirecionamento no processo de produção cientifica, na elaboração
de matrizes curriculares democráticas e em um processo extensionista
cada vez mais comprometido com a classe trabalhadora.
Uma revolução nada silenciosa
Em um momento futuro, a ocupação quantitativa que queremos promover ao
defender a políticas de cotas raciais nas universidades públicas se
reverberará em uma maior participação dos negros e negras nos espaços de
tomada de decisão e, consequentemente, na definição de rumos
verdadeiramente democráticos e republicanos para a sociedade brasileira.
Tal engajamento nos instrumentaliza para a verdadeira disputa que
enfrentamos cotidianamente desde o dia em que nascemos, na qual o
combate sistêmico ao racismo é central na estratégia por uma sociedade
solidaria, justa e democrática. O processo de resistência a cada dia
torna a luta dos negros e das negras mais forte e mobilizada.
Defender em alto e bom som a política de cotas raciais nas universidades
públicas é trazer à tona, em todo o Brasil, que ele é um país racista. A
defesa das cotas é carregada de forte simbolismo, visando a quebrar com
uma dinâmica de manutenção do poder sustentada pelo mito da democracia
racial.
Para que, de fato, possamos superar as distorções
sociais gestadas pelos ideais racistas, é necessário compreendê-lo para
que a sua superação seja definitiva. Esse processo de compreensão nos
traz a relação dialética entre as lutas raciais e a luta de classes.
* Clédisson Júnior é ex-diretor de Combate ao Racismo da UNE (2009 a 2011)e membro do Coletivo Nacional Enegrecer.
domingo, 1 de abril de 2012
A juventude e a militância petista no dia pela eliminação da discriminação racial
Por Ludmila Queiroz
“Há 52 anos atrás em Joanesburgo na África um grupo de 20 mil pessoas em sua maioria jovens protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.”
Neste dia tão importante da agenda dos movimentos populares, em especial para o movimento negro, nós do Partido dos Trabalhadores, militantes do maior partido de esquerda da América Latina, temos a obrigação de priorizar o combate ao racismo em nossa agenda como compromisso histórico, pois mesmo mais de trinta anos depois da criação do PT e com tantos avanços,sobretudo com a resistência do movimento negro, ainda estamos na periferia dos espaços de poder do PT, principalmente somando a condição de jovem aos/as militantesnegros e negras.
Mesmo reconhecendo os inúmeros avanços e o esforço do partido para incorporar a temática em seu dia a dia, como na resolução do 4º congresso do PT, que determina a paridade de gênero a proporcionalidade étnico-racial e a cota de 20% de jovens nas instâncias de poder do partido; as ações afirmativas para negros, em especial jovens, no governo Lula, ainda precisamos de fato estar incorporados como tema e prioridade na agenda do Partido. Que nós, negros e negras deste Partido, responsáveis que somos pelo desenvolvimento desta nação desde sempre, possamos de fato contar com a força partidária em toda sua capacidade e compromisso, não só neste dia pela eliminação do combate ao racismo.
Para dar conta de tamanho desafio é fundamental que nós da juventude do PT estejamos ativamente participando das discussões dos temas centrais no que tange a promoção da igualdade racial, em especial que afetem a juventude. Por isso reafirmamos:
A importância das políticas de cotas e de programas como o PROUNI, que cada vez mais permitem a inclusão de jovens negros e negras nas universidades;
A importância de campanhas como a de combate ao extermínio da juventude negra e pobre, que morre nas periferias e comunidades do RJ;
A legalização do Aborto, levando em consideração também a morte das jovens negras e pobres nas clínicas clandestinas em decorrência de abortos mal sucedidos;
A condição do estado Laico e que, portanto, todos e todas têm o direito de ter suas práticas religiosas, ressaltando a luta pelo fim da intolerância religiosa, em especial o preconceito contra as religiões de matrizes africanas;
Sabemos o tamanho do desafio, mas nós da Juventude Petista não deixaremos de levantar a bandeira do combate ao racismo. Portanto, é fundamental que a juventude negra deste partido se mobilize e esteja atuante, participando dos diversos setoriais, nas atividades de formação do partido, nas disputas do PED etc... E é responsabilidade nossa destacar a discussão do combate ao racismo, num dia em que lembramos o massacre de Shaperville, mas não só nele. O combate ao racismo tem de ser pauta o ano inteiro.
Ludmila Queiroz é Secretária de Combate ao Racismo da JPT do Rio de Janeiro
“Há 52 anos atrás em Joanesburgo na África um grupo de 20 mil pessoas em sua maioria jovens protestavam contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.”
Neste dia tão importante da agenda dos movimentos populares, em especial para o movimento negro, nós do Partido dos Trabalhadores, militantes do maior partido de esquerda da América Latina, temos a obrigação de priorizar o combate ao racismo em nossa agenda como compromisso histórico, pois mesmo mais de trinta anos depois da criação do PT e com tantos avanços,sobretudo com a resistência do movimento negro, ainda estamos na periferia dos espaços de poder do PT, principalmente somando a condição de jovem aos/as militantesnegros e negras.
Mesmo reconhecendo os inúmeros avanços e o esforço do partido para incorporar a temática em seu dia a dia, como na resolução do 4º congresso do PT, que determina a paridade de gênero a proporcionalidade étnico-racial e a cota de 20% de jovens nas instâncias de poder do partido; as ações afirmativas para negros, em especial jovens, no governo Lula, ainda precisamos de fato estar incorporados como tema e prioridade na agenda do Partido. Que nós, negros e negras deste Partido, responsáveis que somos pelo desenvolvimento desta nação desde sempre, possamos de fato contar com a força partidária em toda sua capacidade e compromisso, não só neste dia pela eliminação do combate ao racismo.
Para dar conta de tamanho desafio é fundamental que nós da juventude do PT estejamos ativamente participando das discussões dos temas centrais no que tange a promoção da igualdade racial, em especial que afetem a juventude. Por isso reafirmamos:
A importância das políticas de cotas e de programas como o PROUNI, que cada vez mais permitem a inclusão de jovens negros e negras nas universidades;
A importância de campanhas como a de combate ao extermínio da juventude negra e pobre, que morre nas periferias e comunidades do RJ;
A legalização do Aborto, levando em consideração também a morte das jovens negras e pobres nas clínicas clandestinas em decorrência de abortos mal sucedidos;
A condição do estado Laico e que, portanto, todos e todas têm o direito de ter suas práticas religiosas, ressaltando a luta pelo fim da intolerância religiosa, em especial o preconceito contra as religiões de matrizes africanas;
Sabemos o tamanho do desafio, mas nós da Juventude Petista não deixaremos de levantar a bandeira do combate ao racismo. Portanto, é fundamental que a juventude negra deste partido se mobilize e esteja atuante, participando dos diversos setoriais, nas atividades de formação do partido, nas disputas do PED etc... E é responsabilidade nossa destacar a discussão do combate ao racismo, num dia em que lembramos o massacre de Shaperville, mas não só nele. O combate ao racismo tem de ser pauta o ano inteiro.
Ludmila Queiroz é Secretária de Combate ao Racismo da JPT do Rio de Janeiro
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