Artigo 1º do Estatuto do PT
"Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução." Leon Trotsky
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Fala tu!!! Estatuto do PT
Artigo 1º do Estatuto do PT
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
20 de Novembro, resistência e combate ao racismo!
Cristian Ribas*Comemoramos o dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência da Negra do Brasil, a história de resistência do povo negro, homenageando a luta de Zumbi, grande líder do Quilombo dos Palmares. Avaliamos os avanços, as conquistados e os grandes desafios ainda a serem superados, reafirmando o compromisso com o combate ao racismo e as opressões historicamente vivenciadas.
O ano de 2011 foi definido pelo Comissariado das Nações Unidas como o Ano Internacional dedicado às populações afrodescendentes. Marcado pelo Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, o mês de novembro reuniu chefes de estados e representantes de países da América Latina, Caribe e África reuniram-se em Salvador, instituída como Capital Afrodescendente da Ibero-América. O Encontro afirma a busca pelo fortalecimento e ampliação de politicas publicas para ações de reparação aos afrodescendentes na América Latina e o Caribe.
A promoção da igualdade racial no Brasil é o único caminho para a garantia dos direitos fundamentais e eqüidade social. A dimensão da discriminação étnico-racial, responsável pelo afastamento de negros e negras às oportunidades de desenvolvimento humano, compreendendo a combate ao racismo como um postura politica de enfrentamento a discriminação e busca de um reposicionamento da população negra na hierarquia social.
A União Nacional dos Estudantes, enfatiza o papel central da educação no processo de desenvolvimento social, pautando o fortalecimento da universidade como espaço social de transformação. A UNE luta por uma educação anti-racista, que compreenda a pluralidade cultura e por isso defende as politicas de Ações Afirmativas como ferramenta de garantir a igualdade de oportunidade e efetivação de direitos. Defendemos a mudança de estruturas sociais, politicas/econômicas e educacionais, que ainda refletem um processo histórico de escravidão, exploração e exclusão da população negra.
Avançamos muito nos últimos anos no campo da educação, em virtude das politicas educacionais que vêm democratizando e ampliando o acesso ao ensino superior, e principalmente pela expansão das ações afirmativas de entrada à universidade. A cenário educacional ainda esta distante do que desejamos, contudo nunca tivemos tantos negros e negras no ensino superior. Uma mudança se apresenta no decorrer da ultima década e que cobrar ainda mais a ampliação e a melhoria das politicas de permanência e pós-permanência, ainda bastante insuficientes.
O processo de descolonização do conhecimento, a produção de uma cultura emancipatória, educação conectada ao processo social antiracista, são redefinições de um projeto politico que compreende a todos. Buscando grades curriculares dos cursos integradas ao resgate da contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil, viabilizando a aplicação da Lei 10.639 que estabelece a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileiro no ensino fundamental e médio.
A liberdade conquistada após a abolição da escravidão é profundamente relativa. O povo negro ainda convive com a violência e discriminação material e cultural, sofrendo permanentemente com a intolerância contra comunidades religiosas africanas e o referencial eurocêntrico racista que negativiza a negritude.
O fenômeno social que se caracteriza pela violência e o genocídio da juventude negra, cresce na contra mão dos avanços conquistados pela juventude negra. Crimes que roubam da juventude a dignidade e o direito à vida, interrompendo caminhos que progressivamente são buscados. Hoje as mortes de jovens negros é proporcionalmente mais que o dobro a de jovens não-negros.
As marcas de resistência há um projeto de desenvolvimento estruturado no racismo, significa nossa africanidade, nos conscientiza e organiza nossa luta por uma sociedade democrática, justa e racial e socialmente igualitária.
ZUMBI VIVE!
*Cristian Ribas é Diretor de Combate ao Racismo da UNE, e militante do Coletivo ENEGRECER.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
II Congresso da JPT: vitória da revolução democrática e de uma nova geração política

sábado, 12 de novembro de 2011
JPT discute o futuro do Brasil e elege nova direção

Dia todo - Recepção das delegações
9h às 19h – Credenciamento delegados
10h às 17h – Espaço para reuniões de teses e plenárias auto-organizadas
19h – Abertura: Hino Nacional e A Internacional Socialista
Mesa:
- Rui Falcão (Presidente Nacional do PT)
- Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT)
- Representantes da JPMDB, UJS, JPPL, JSB, JSPDT
- Clarissa Cunha (Vice-Presidenta da UNE)
- Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude)
- Gabriel Medina (Presidente do Conjuve)
- Carlos Odas (ex-secretário nacional da JPT)
- Rodrigo Abel (ex-secretário nacional da JPT)
- Humberto de Jesus (ex-secretário nacionalda JPT)
Rafael Barbosa “Pops” (ex-secretário nacional da JPT)
- Agnelo Queiroz – Governador do Distrito Federal
- Fernando Neto – Secretário de Juventude do Governo do Distrito Federal
Outros convidados: Executiva Nacional do PT
Dia 13/11 - Domingo
9h às 19h – Credenciamento delegados
10h – Painel “O novo patamar da JPT”
Mesa:
- Carlos Henrique Árabe (Economista e membro da CEN)
- Valdemir Pascoal (Secretário Nacional de Juventude do PT)
- Carlos Odas (Representante dos ex-secretários nacionais da JPT)
- Rafael Pops (Representante dos ex-secretários nacionais da JPT)
14h30–Painel “O desenvolvimento que a juventude quer para o Brasil”
Mesa:
- Alexandre Padilha (Ministro da Saúde e ex-Ministro das Relações Institucionais)
- Esther Bemerguy (Secretária-Executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social-CDES)
- Iole Ilíada (Secretária de Relações Internacionais do PT)
16h - Espaço para organização das teses e outras plenárias livres
19h - Debate “O destino das PPJs é o presente”
Mesa:
- Severine Macedo (Secretária Nacional de Juventude)
- Gabriel Medina (Presidente do Conjuve)
- Allan Borges (Superintendente de Políticas Públicas de Juventude do Rio de Janeiro)
- Afonso Tiago (Coordenador de Juventude da Prefeitura de Fortaleza)
22h - Atividade Cultural
Show com Posto 9
Dia 14/11 – Segunda-feira
9h às 12h – Credenciamento delegados
12h às 19h – Credenciamento suplentes
10h – Espaço para livre organização e espaço para as teses.
14h - Debate “Os movimentos e as mobilizações da juventude brasileira”
Mesa:
- Selma Rocha (Fundação Perseu Abramo)
- Juventude da CUT
- Gabriel Landi (Coordenador do GT de Reforma Política da UNE)
- Nalu Faria (Marcha Mundial das Mulheres)
- Reginaldo Lopes (Deputado Federal ex-Presidente da Frente Parlamentar de Juventude da Câmara dos Deputados)
- Representante da JN13
- Representante da Juventude LGBT do PT
15:30h – Grupos de Discussão
17h - Concepção e funcionamento da JPT
Mesa:
- Representantes das teses
18h – Grupos de Discussão
22h - Atividade Cultural
Show com a banda Caco de Cuia
Dia 15/11 – Terça-feira
9h - Aprovação das resoluções do II ConJPT (regimento e programa político)
13h – Defesa de candidaturas
14h - Eleição da nova direção e secretário(a) nacional da JPT
A JPT e a revolução democrática
Nota da JPT-RJ de solidariedade ao #ocupausp e de repúdio à truculência tucana
Políticas afirmativas em Salvador para combater o Racismo da Prefeitura Municipal
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Fala tu!!! Florestan Fernandes
Posição da UNEGRO sobre a demissão de Orlando Silva

A violenta campanha de difamação, calúnias e ataques, a Orlando Silva Junior atingiu o objetivo imediato de derrubar um ministro jovem, talentoso, exemplo para juventude negra e gerações de atletas, gestores, administradores, mas não conseguiu e nem conseguirá apagar o brilho e macular a contribuição que Orlando Silva deu ao país.
Orlando ajudou a consolidar e dar importância institucional e política ao Ministério do Esporte, foi figura destacada para que o Brasil tivesse a oportunidade de sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, eventos que favorecerão o dinamismo da economia nacional gerarão mais empregos e renda para o povo brasileiro. Conduziu republicanamente a gestão do Ministério, respeitou todas as forças políticas e os movimentos sociais e deixa como marca o desenvolvimento do esporte como atividade e direito fundamental da cidadania.
A injusta demissão de Orlando aumenta a invisibilidade do negro no governo Dilma, dos 37 ministérios a única negra é Luiza Bairros, ministra da Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial. Estamos diante de um retrocesso perigoso e assistindo a reprise dos mesmos enredos de defenestração de ministros negros. Impõem-se, mais uma vez, a lógica de que o negro não tem competência e não é confiável. Portanto, não pode ocupar cargos importantes no governo. Primeiro foi Benedita da Silva, depois Matilde Ribeiro e agora é Orlando Silva.
A UNEGRO compreende que esse episódio fragiliza o governo e a democracia brasileira, se posiciona em defesa de Orlando Silva e o considera o ministro mais bem sucedido do governo Lula e do governo Dilma. Mantém seu apoio ao governo Dilma e manifesta sua preocupação com a ausência de negros no ministério e em outros espaços importantes do Executivo.
Não nos afastaremos um instante da construção de uma sociedade livre do racismo e das desigualdades.
Viva Orlando Silva!!!
União de Negros Pela Igualdade - UNEGRO
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Avante! elege secretários da JPT do Rio de Janeiro e do Piauí
Por Rodrigo MathiasA candidata nacional da tese Avante!, Joanna Paroli foi pessoalmente acompanhar o congresso do Rio de Janeiro, após ter visitado os companheiros do Piauí para discutir as táticas eleitorais que seriam adotadas no congresso do estado. Para Joanna, as eleições dos companheiros mostraram que a juventude petista quer uma JPT menos burocrática, mais militante e com um diálogo maior com os movimentos sociais:
“Assim como aconteceu no 4º Congresso, a juventude do partido mostrou que quer um PT mais à esquerda, o que abre boas possibilidades para a nossa candidatura nacional”, afirmou.
Rio de Janeiro
Um dia após sua vitória, Daniel Gaspar já sentia a responsabilidade da nova posição. Entre telefonemas e respostas a incontáveis emails e mensagens nas redes sociais, o ex-diretor de Relações Internacionais da UNE falou sobre os principais desafios da sua gestão na JPT:
“Precisamos organizar campanhas públicas para dar mais visibilidade às pautas da JPT. No próximo período, o PT do Rio de Janeiro vai ter o desafio de construir uma candidatura forte para o governo do Estado e a juventude do partido deve estar pronta para colocar suas pautas na construção do programa de governo”, disse.
Além do desafio eleitoral, Daniel destacou a necessidade de uma maior presença da direção da JPT no interior do estado, o aprofundamento do investimento na formação política da juventude petista e o diálogo com as outras juventudes dos partidos de esquerda, como prioridades para sua gestão.
Também militante da juventude petista do Rio de Janeiro, a atual vice-presidente da UNE, Clarissa Alves da Cunha considera que a eleição de Daniel leva a JPT-RJ a um novo patamar:
“A vitória do Daniel Gaspar abre caminho para uma maior sintonia entre a juventude petista e os movimentos sociais. Esse panorama nos dá uma possibilidade de disputar os corações e mentes da juventude fluminense pelo prisma de uma perspectiva libertária de transformação social”.
Vitórias da DS
Além de assinarem a tese Avante!, Daniel e Maycon fazem parte da mesma tendência interna do PT, a Democracia Socialista. Para Anderson Campos, membro da Direção Nacional da corrente, as vitórias da DS no Rio e no Piauí fortalecem a luta pela construção socialista do PT:
“Como partido dirigente da revolução democrática, o PT precisa de uma juventude avançada e comprometida com o socialismo democrático”, afirmou. Para o dirigente, essas conquistas estaduais são fundamentais para o movimento trilhar o caminho até a vitória da candidata nacional, Joanna Paroli.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
JPT pela esquerda - Manifesto de apoio à candidatura de Daniel Gaspar para secretário estadual
Este manifesto apresenta algumas das principais razões pelas quais nós, de diferentes movimentos, correntes, grupos e municípios, nos unimos em um movimento para mudar a JPT do estado do Rio de Janeiro. Nesta semana, completam-se quatro anos da realização do I Congresso da JPT. Embora marcado por contradições de uma juventude que recém começava a repensar sua organização e seu papel, ele logrou afirmar valores que animam sonhos generosos com o futuro de nosso partido. Entre as principais conquistas deste espaço estiveram a bandeira unificada para JPT de se “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, de “garantir o desenvolvimento nacional”, “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”.Como vemos, os desafios colocados para esta primeira gestão não foram pequenos. Apesar de todo o saldo positivo deste processo, chegamos ao II Congresso da JPT com a evidência de que ainda temos de caminhar muito para consolidarmos uma JPT comprometida com uma visão de que a juventude tem uma dimensão estratégica para o projeto de desenvolvimento que nosso partido apresenta para o Brasil. Isso significa que este II Congresso tem a enorme tarefa de organizar e afirmar uma juventude socialista, militante e de massas capaz de conduzir o processo de profunda transformação social em curso em nosso país.
Para que tudo isto ocorra, as secretarias estaduais da JPT terão papel central neste processo. Caberá a elas garantir a organização cotidiana dos militantes e filiados, além de realizar na base as campanhas da JPT, a formação política e as atividades de mobilização. No Rio de Janeiro, a maior parte das bandeiras da juventude trabalhadora, e por consequência do PT, não foram abraçadas pelo governo estadual que nosso partido compõe. Ainda prevalecem os casos de criminalização da pobreza, especialmente da juventude pobre e negra, por parte da polícia e nossa juventude ainda está longe de ter seu direito de acesso a educação e serviços públicos de qualidade garantidos. No governo Sérgio Cabral, diferentemente dos Governos Lula e Dilma, o movimento social é reprimido e criminalizado.
Para começarmos a reverter este quadro, o PT do Rio de Janeiro deve estar comprometido em apresentar seu programa político, através de candidatura própria, nas próximas eleições para o governo do estado. Neste sentido, a juventude deve se colocar como protagonista deste processo, pautando suas bandeiras e estando à frente enquanto direção da construção deste programa e desta campanha. Eleger o companheiro Lindberg governador do estado do Rio de Janeiro é prioridade da nossa campanha.
Sabemos que a JPT do Rio hoje está seriamente fragilizada, desorganizada, sendo pautada pelas disputas internas e extremamente limitada para cumprir este papel. Precisamos de uma secretaria que seja capaz de mudar este quadro, que consiga atender a toda esta demanda de organização, de enraizamento nos municípios do interior e que possa dialogar com o conjunto de grupamentos e tendências de nosso partido, unificando a atuação da JPT fluminense no movimento social, fazendo formação política nos municípios e organizando campanhas públicas da JPT no estado.
É a partir desta perspectiva que apresentamos a candidatura do companheiro Daniel Gaspar a secretário estadual da JPT do Rio de Janeiro. Acreditamos que Daniel, ex-diretor de relações internacionais da UNE e militante da JPT RJ, pode cumprir este papel. Esta candidatura representa todos e todas que querem renovar e reconstruir um papel protagonista para esta juventude petista em nosso estado!
13 pontos para mudar a JPT do Rio de Janeiro:
1 – A JPT tem que participar de forma unificada e organizada nos movimentos sociais. A lógica institucional não pode nos separar das lutas sociais.
2 – É preciso ter cursos de formação política para os jovens petistas em todos os municípios e regiões do Estado.
3 – É preciso interiorizar a JPT. As atividades de formação política, campanhas etc.. não podem ocorrer apenas na capital!
4 – A JPT tem que ter uma política de comunicação nas redes sociais, assim como boletins informativos periódicos e um site.
5 – A JPT deve combater as opressões geracionais, raciais, de gênero, de orientação sexual. Devemos realizar encontros estaduais LGBTTT, de jovens petistas negros, de jovens petistas mulheres.
6 – Não podemos ser acríticos ao Governo Sérgio Cabral. Somos partido, tomamos parte na sociedade e devemos defender os interesses dos jovens e trabalhadores.
7 – Devemos incentivar os candidatos jovens a vereador no próximo ano, realizando um encontro estadual, que deve tirar bandeiras em comum a serem defendidas por todos os candidatos a vereador e prefeito do PT-RJ!
8 – É preciso ter uma campanha pública da JPT, que dispute a consciência e os valores dos jovens!
9 – A JPT também deve ter ação legislativa, propondo leis aos deputados e vereadores do PT, que garantam conquistas e direitos para a juventude do Rio de Janeiro.
10 – Devemos construir um fórum com as juventudes de esquerda do Rio de Janeiro. É hora de unificar a esquerda!
11 – É preciso estar em sintonia com as secretarias municipais. Devemos fazer plenárias anuais com todos os secretários e secretárias municipais recém-eleitos do estado do Rio de Janeiro para deliberar sobre campanhas, mobilizações e demais pautas que surjam.
12 – A JPT deve investir em festas, confraternizações e eventos culturais que permitam que os jovens petistas se expressem artisticamente.
13 – Temos que construir a candidatura própria do companheiro Lindberg a Governador do estado do Rio de Janeiro!
Por essas razões, apoiamos a candidatura do companheiro Daniel Gaspar à secretário estadual de juventude do PT do Rio de Janeiro e convidamos todos e todas que acreditam neste projeto e nesta candidatura a assinar nosso manifesto e seguir em luta conosco para eleger Daniel Gaspar secretário e construir uma nova JPT para o nosso estado.
Ousar lutar, ousar vencer, é PELA ESQUERDA que se muda o PT!
sábado, 8 de outubro de 2011
Estatuto da Juventude: Mais um passo para o desenvolvimento do Brasil

A aprovação do Estatuto da Juventude na Câmara dos Deputados é sem dúvida a maior conquista do Século para a juventue e um marco na história brasileira.
A primeira conquista aconteceu na constituição de 1988, com a aprovação do voto facultativo de jovens entre 16 e 17 anos.
No ano de 2010, ano marcado pelo maior número absoluto de jovens, aconteceu a inclusão do termo juventude na constituição brasileira, a chamada PEC da Juventude, que indicou a necessidade de aprovação de Marcos Legais no país: o Estatuto da Juventude e o Plano Nacional de Juventude.
O Estatuto é fundamental pois define quais são os direitos específicos desse período da vida, marcado pela faixa etária de 15 a 29 anos, que hoje é composta por cerca de 50 milhões de brasileiros.
É um marco para constituir uma nova compreensão sobre o que é ser jovem, período que carregou estereótipos negativos, visto como problema ou mera fase de transição da infância para a vida adulta. Chegou a hora da sociedade e do Estado reconhecerem os jovens como portadores de direitos específicos, capazes de participar do projeto de país.
O Conselho Nacional de Juventude, criado em 2005, foi protagonista da construção e pressão para a votação do projeto e contribuiu para qualificar a peça, por eemplo, com a inclusão dos temas: do direito a comunicação e liberdade de expressão, à cidade e a mobilidade, à segurança pública e a necessidade de implementação da Agenda Nacional de Trabalho Decente para a juventude. O PL também assegura o direito a diversidade e pluralidade, à cidadania, à participação social e garantia do desenvolvimento integral com políticas públicas nas mais varidas áreas do Estado.
O Estatuto define a criação de um Sistema Nacional de Juventude que ainda precisará ser regulamentado pelo Estado, mas que aponta para a necessidade de um pacto federativo entre Municípios, Estados e a Federação para a execução de políticas de juventude. O Sistema prevê ainda que o controle social e a participação são fundamentais e devem ser exercidos por meio dos Conselhos de Juventude.
A votação só foi possível por um esforço da relatora Manuela Davila, que com o apoio da Frente Parlamentar de Juventude criou as condições com as lideranças partidárias para um cenário favorável que permitiu sua aprovação por unanimidade, além de outros deputados que mostraram sensibilidade ao tema e ao público da juventude.
Os desafios agora passam por construir uma pressão política sobre o Senado e viabilizar que seja sancionado pela Presidente Dilma antes da 2ª Conferência Nacional de Juventude, que acontecerá de 9 a 12 de Dezembro em Brasília.
Ao Congresso cabe acelar a votação do Estatuto da Juventude e dar continuidade a tramitação do Plano Nacional de Juventude, conjunto de políticas, programas e metas a ser executado pelo Governo. É preciso que o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Juventude apresente uma proposta de regulamentação do Sistema Nacional de Juventude, com a garantia de recursos, atribuições e competência dos Municípios, Estados e Federação que coloquem como centro a participação plural da juventude na definição das políticas e do marcos legais.
A 2ª Conferência Nacional que tem o slogan “Conquistar Direitos e Desenvolver o Brasil”, tem como eixo fundamental do seu temário a necessidade do avanço dos Marcos Legais e para além de comemorar a aprovação do Estatuto, apontará as demandas da juventude para o aperfeiçoamento do Plano Nacional de Juventude e regulamentação do Sistema Nacional de Juventude.
O Conselho Nacional de Juventude comemora mais esta vitória, que aponta para um pacto intergeracional para a construção de um Brasil que respeite e valorize as novas gerações e criem as condições para a promoção de um país que assegure os direitos plenos a todos os cidadãos.
*Gabriel Medina é Presidente do Conselho Nacional de Juventude
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Fala tu!!! Vladimir Lenin!!!

Vladimir Lenin.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Balanço da Democracia Socialista sobre o 4º Congresso do PT - Uma nova etapa na construção do PT
As novas regras estatutárias deverão ter grande impacto na construção do partido. Se tomarmos cada mudança estatutária de forma isolada, já podemos perceber grandes avanços na condução do PT. Quando tomadas em conjunto, essas medidas significam uma clara e forte reorientação organizativa partidária em um sentido participativo, democrático e militante. Esse conjunto de mudanças pode ganhar dinamismo e abrir uma nova experiência de organização e crescimento do partido, levando-se em consideração as características do novo período político, aberto pela 3ª vitória presidencial consecutiva do PT e pela crise do neoliberalismo em escala internacional.
Nesse sentido também devemos saudar a elaboração proposta pela resolução política. Fruto de uma contribuição especial do presidente do partido, companheiro Rui Falcão, ela buscou sintetizar diversas abordagens presentes no partido, dentre elas a da última conferência da Democracia Socialista. Essa resolução dever ser lida, em nossa opinião, como abertura de um novo período de esforço de elaboração programática em consonância com o novo período político.
As mudanças estatutárias
Podemos destacar seis aspectos do conjunto de alterações que conformam o novo estatuto.
1º aspecto: Filiação, participação e contribuição financeira
O Congresso decidiu que as novas filiações – desde que não sejam questionadas (como já ocorria antes) – devem ser precedidas da apresentação programática e organizativa do partido, ou seja, dos direitos e deveres do filiado/a, da história, do programa partidário, e, naturalmente, do incentivo à participação militante. Medidas complementares a essa, estabeleceram que todos os filiados deverão participar de pelo menos uma atividade por ano e, necessariamente, realizar uma contribuição financeira a cada semestre. Essas novas definições passam a ser regras básicas para exercer direitos partidários.
A elas se acrescem os novos deveres dos dirigentes partidários em todos os níveis – mais de 60 mil militantes – que devem contribuir mensalmente com 1% da renda. Além disso, caberá ao DN definir a contribuição básica semestral de todos os filiados bem como novas tabelas de contribuição de militantes no exercício de mandatos executivos e parlamentares e também de dirigentes.
Essas decisões fundamentais constituem-se no núcleo do novo modelo estatutário. Elas implicam novas tarefas organizativas e, simultaneamente, a conversão do modelo eleitoral de organização até agora em vigor em um novo modelo organizativo com incentivo à participação e à sustentação do partido em crescimento sob novas bases.
2º aspecto: Medidas afirmativas de participação de gênero, de geração e da diversidade étnico-racial do povo brasileiro
Definimos que a composição das direções em todos os níveis (com reflexo na atribuição de responsabilidades nas funções executivas) deverá obedecer aos critérios de paridade de gênero, de no mínimo 20% de jovens e de relação com a diversidade étnico racial da população em suas dimensões nacional e regional. Essas diretrizes, inovadores e igualitárias, apontam linhas de crescimento e linhas de sustentação formativa para novos quadros partidários. Dar-lhes conteúdo real (e não apenas formal) é um dos nossos maiores desafios. Sobre eles devemos atuar decididamente para sua efetivação em larga escala.
Essas decisões dão contemporaneidade ao partido e permitem dialogar mais expressivamente com o povo brasileiro. Não podem, portanto, ganhar um caráter internista; devem servir de eixos de maior intervenção nos movimentos sociais com essa abordagem. E, portanto, de maior representatividade social do partido entre as mulheres trabalhadoras, entre os jovens, entre os negros, entre as comunidades originárias do povo brasileiro.
3º aspecto: Democratização do PED e prévias
Uma das origens da reforma estatutária, a democratização dos processos internos de decisão foi um dos aspectos mais claros da mudança positiva. Ela definiu um fundo do partido para financiar o processo de eleição das direções em todos os níveis. Ela também estabeleceu que o colégio eleitoral em qualquer processo decisório interno será conhecido com três meses de antecedência e incorporou as medidas presentes no Código de Ética, relativas aos controles internos necessários à democratização destes processos decisórios. Outro elemento importante e que terá efeito no próximo PED é o de que as listas pré-ordenadas de nomes à direção terão caráter obrigatório e representarão a nova direção eleita, respeitando a proporcionalidade. Isso estimulará que as chapas tenham mais consistência prévia e, portanto, respondam à representatividade real dos seus componentes.
Sobre as prévias, a decisão importante é a de permitir que, em caso de não expressar uma minoria consistente, as direções remetam as decisões sobre candidaturas majoritárias para os encontros de delegados respectivos.
Essas medidas procuram conciliar processos internos de caráter eleitoral – cada filiado um voto – com fórmulas democráticas e de garantia da soberania da decisão dos filiados. Esses processos impulsionados com o estatuto de 2000, e sobretudo com a experiência do PED, tem a grande virtude de serem públicos, ou seja, de expressar nossas virtudes e defeitos e de receber sobre eles a opinião da nossa base social e mesmo de uma opinião pública democrática (que o PT tanto lutou para erguer na sociedade brasileira desde as lutas contra a ditadura). Ao mesmo tempo, tem o potencial de influenciar essa base e essa opinião. O maior exemplo positivo é o PED de 2005, uma das grandes respostas aos ataques sofridos pelo PT. O exemplo negativo é a reação crítica à transposição de costumes clientelísticos e de usos do poder econômico nas disputas internas. Nossos processos “internos” e públicos de decisão são, portanto, parte da cultura socialista e democrática que o PT busca construir no Brasil.
4º aspecto: Escola Nacional de Formação como órgão do partido, Fundação Perseu Abramo mais ligada e subordinada ao PT
No 3º Congresso do PT (2007), a Escola Nacional de Formação do PT, foi reconhecida e estabelecida como órgão do partido e como responsável pela elaboração e execução de sua política de formação. Ao mesmo tempo, a Secretaria Nacional de Formação Política, em conjunto com a Secretaria Nacional de Organização, foi encarregada de acompanhar e registrar os processos de filiação. Esse novo processo organizativo reforça as secretarias de formação em todos os níveis.
A Fundação Perseu Abramo passa a ter sua autonomia melhor regulada com as decisões do congresso. Suas prestações de conta passam a ser, obrigatoriamente, examinadas pelo Diretório Nacional (antes de apresentá-las aos chamados órgãos públicos de controle de todas as fundações). Sua diretoria executiva não poderá ter, de forma acumulada, como ocorre nesse momento, membros da Executiva Nacional do PT. Isso fortalece o papel da direção da FPA que deve dedicar-se plenamente ao seu reconhecido (e que precisa ser renovado) papel de órgão do partido para a elaboração e difusão do pensamento socialista democrático.
5º aspecto: Incorporação do Código de Ética ao Estatuto
O Código de Ética foi uma decisão do 3º Congresso e uma resposta necessária às origens dos problemas enfrentados pelo PT em 2005. A existência de dois parâmetros – o Estatuto e o Código de Ética – reguladores da democracia partidária mostrou-se insuficiente. A unificação deles em uma só peça foi uma decisão importante que fortalece os princípios presentes em ambos.
6º aspecto: limitação dos mandatos parlamentares
O Congresso decidiu limitar, a partir de 2014, em três o número de mandatos consecutivos a que se pode concorrer e exercer o filiado. Assim, como exemplo, um filiado poderá exercer até três mandatos de vereador. Essa mudança mostra a disposição de conter a influência parlamentar no partido.
Uma etapa de concretização estatutária através de um novo crescimento orgânico e quantitativo
Para concretizar esse quadro, é necessário, em primeiro lugar o respeito absoluto das decisões congressuais. Para isso é preciso que todos os níveis de direção – a começar pela CEN e pelo DN – encaminhem as implementações das decisões tomadas. Aliás, uma das decisões congressuais diz que a primeira reunião do DN, seguinte ao congresso, resolverá as questões a ele atribuídas, como regulamentar o critério étnico-racial, definir as tabelas de contribuição, entre outras. Em segundo lugar é fundamental consolidar e regulamentar todas as mudanças e publicar o novo Estatuto, o mais rápido possível.
A Escola Nacional de Formação e a Secretaria Nacional de Formação Política (SNFP) ganharam um destaque especial nesse congresso e precisam se adaptar aos novos tempos. A primeira deve viabilizar conteúdos de apresentação do PT para as/os novas/os filiadas/os. Deve promover também, além da Jornada de Formação Feminista, já em andamento, jornadas de formação para a juventude e para o combate ao racismo e pela afirmação da diversidade étnica racial da população brasileira no interior do partido. Além disso, deve ganhar expressão clara como órgão do partido, inclusive na sua apresentação para outros partidos e para situações de convênio. Por sua vez, a SNFP passa a ser encarregada, junto com a SORG, de receber as listas de novas/os filiadas/os e assegurar que tenham passado pelas atividades de apresentação do PT.
Por fim, cada instância partidária deve assumir sua parte nessa ampla reforma organizativa lançada pelo 4º Congresso.
A melhor maneira de expressar a nova realidade estatutária é a de experimentar um novo crescimento sob as novas bases. Para isso devemos fortalecer a decisão de uma campanha ampla de filiação, dirigida com prioridades e com os novos instrumentos requeridos pelo novo estatuto.
Impactos sobre as correntes e recomposições
À exceção da Mensagem ao Partido, todas as demais chapas ou composições mais amplas entre correntes se dividiram nas decisões sobre o estatuto/concepção de partido.
A Mensagem posicionou-se globalmente a favor de todas as mudanças aprovadas. Ficou em minoria apenas no questionamento do dispositivo que permite a chamada contribuição coletiva a ser decidida pelas instâncias de base. Mesmo assim, sua postura crítica foi subordinada ao acordo de conjunto sobre o princípio da obrigatoriedade da contribuição financeira de todo filiado e ao compromisso de fazer valer a regra aprovada.
A Construindo um Novo Brasil dividiu-se, mas com maioria a favor das mudanças aprovadas (mesmo porque, sem isso, elas não seriam aprovadas!). São dignos de nota as atuações fundamentais dos companheiros Ricardo Berzoini, presidente da comissão do estatuto, e Rochinha, presidente da Comissão de Ética, que estiveram à frente das defesas dos pontos centrais de mudança democrática e militante do estatuto. Uma parte da CnB, no entanto, apresentou-se francamente contrária a essas mudanças.
O MovimentoPT também se dividiu, com o setor gaúcho e o setor ligado a Arlindo Chinaglia ao lado das posições da maioria, embora perdedores dentro da sua corrente. A Articulação de Esquerda dividiu-se antes do congresso por razões próprias e, mesmo que as partes cindidas tenham votado juntas, o fizeram sob o signo do enfraquecimento.
Esse quadro deve dar impulso a uma nova recomposição de forças dentro do PT, em torno do tema fundamental da concepção partidária. O ideal é que os setores que formaram a maioria congressual ou com ela se identificaram atuem em conjunto pela viabilização profunda e dinâmica do novo curso organizativo do PT. Sobretudo, é importante que busquem unidade das instâncias no respeito e no encaminhamento das decisões congressuais, para que essa experiência venha fundamentar uma nova direção para o PT.
Esse processo envolve novos diálogos e a busca de novas sínteses necessárias a esta nova etapa da construção partidária.
Uma possível explicação para as decisões da reforma democrática do estatuto
É muito difícil explicar o 4º congresso apenas por elementos circunstanciais (por exemplo, pela maquininha de votação eletrônica!!!) Tampouco parece crível as teorias de caráter mais conspiratórias que buscam explicar tudo por acordos ou desacordos de lideranças.
A nosso ver, prevaleceu uma noção mais simples, atrás da qual aparece outra mais complexa. A maioria dos delegados, amplamente representativa das direções em todos os níveis partidários, quis dar um basta na excessiva eleitoralização do partido. Acontece, como em todo o processo de mudança com participação democrática, que o resultado final não é previsível e traz surpresas. O movimento iniciado na comissão estatutária foi superado pelo congresso e produziu uma mudança maior que qualquer um poderia prever. Essa energia não pode ser explicada se suas origens não forem buscadas no próprio processo que continua em curso no PT, que é o de suas profundas raízes no processo de transformação da sociedade brasileira e que o PT é um dos sujeitos. O PT continua a ser um caudal e um sujeito da revolução democrática – cuja perspectiva, de caráter socialista, lutamos para que hegemonize. As energias sociais presentes no PT desde sua fundação continuam a se manifestar.
O papel da DS na reconstrução socialista do PT
Desde 2005, a Democracia Socialista coloca como aspecto fundamental o restabelecimento das bases socialistas para a construção orgânica do PT. Em 2007, na sua IX Conferência Nacional, a DS definiu como alvo central para a reconstrução socialista do PT a mudança do seu padrão organizativo. Isso foi reafirmado e desenvolvido na X Conferência, com o projeto de reforma estatutária.
Avaliávamos que a grande barreira para um processo mais vigoroso de reconstrução socialista do PT continuava sendo a sua forma organizativa real, que oferece riscos graves tanto à democracia interna como à eficácia política do partido. Esse problema põe-se de forma cada vez mais crucial à medida que a disputa nacional coloca à prova todas as forças políticas e sua capacidade de intervir nos acontecimentos centrais do País.
A forma de organização dos últimos 10 anos foi basicamente eleitoral, e muitas vezes, voltada apenas para a disputa eleitoral proporcional. Ela frequentemente não deu conta sequer da grande disputa eleitoral majoritária. Essa dinâmica coloca-se em franca contradição com a origem, os objetivos e as tarefas políticas do partido. O PT é um partido de massas trabalhadoras e populares, que votam nele com expectativas de melhoras na sua vida e que podem, ao menos suas parcelas mais avançadas, dele participar, contribuir para sua ação e colocar-se como sujeitos coletivos da grande aventura de lutar pela revolução democrática e socialista no Brasil.
O PT governa um país imerso em grande desigualdade social e em meio a uma tradição de forte exclusão política das maiorias sociais. Isso implica que a tarefa de governo não pode ser separada da luta pela construção de uma força política de massas e militante organizada sob a perspectiva da revolução democrática socialista.
A ausência de uma organização partidária militante não é uma característica necessária de um partido de maiorias sociais. Partidos como o PT podem ter uma forma de organização militante, ampla e aberta. É por isso que um dos pontos básicos de um programa de reconstrução socialista do partido é mudar sua organização real. Conquistar a maioria dos petistas para essa posição é uma tarefa central.
A reforma do estatuto deve democratizar e organizar nosso crescimento e é decisiva para que o PT tenha mais protagonismo no novo período que se abre. Por essa razão, concentramos nossa atenção na reforma estatutária, como definimos na X Conferência da DS.
Para concretizar essa tarefa, foi fundamental a atualização da nossa concepção clássica de partido e de sua reconstrução. Sempre pensamos um partido dos trabalhadores com independência política face à burguesia, com pluralismo e direito de tendência, com democracia participativa, com organização e com protagonismo da base. Sempre foi característica da nossa concepção a defesa da auto-sustentação financeira do partido e, por isso, a contribuição financeira como critério de direito de voto, a participação em núcleo e a presença nas atividades do partido também como um dos critérios de direito de voto. E sempre pensamos na democracia participativa aplicada ao funcionamento do partido.
Tínhamos, porém, que refletir sobre a experiência das eleições diretas, com suas virtudes e problemas. Um dos pontos centrais da nossa atualização da proposta de reforma organizativa foi a democratização do PED, questão resolvida logo no início dos debates da tendência e que permitiu dialogar com o sentimento da maioria congressual. Percebemos o PED como uma experiência positiva, que levou Raul Pont ao 2º turno em 2005, que permitiu lançar José Eduardo Cardozo em 2007 e 2009 e organizar um movimento mais amplo que a própria DS em campanhas importantes e que implicaram em maiores responsabilidades de direção do PT. Mas acima de tudo, o PED é um processo público que permite a crítica e a pressão públicas sobre os erros e a expressão, também pública, dos acertos do principal canal de participação dos filiados.
Além da democratização do PED, formulamos a ideia de crescimento com participação. Pensamos que o partido pode, deve e precisa crescer e ser uma escola de participação política para milhões de pessoas do povo brasileiro. O PT pode chegar a ter 3, 5, ou mais, milhões de filiados, e se constituir simultaneamente como a maior força política eleitoral e a maior força de intervenção política na sociedade. Pode se constituir numa nova experiência de partido socialista de massas, cuja expressão européia se deu nos inícios do século XX.
O significado da reorientação organizativa em um período de luta pela hegemonia do socialismo democrático na construção da alternativa ao neoliberalismo
As mudanças organizativas a favor de um partido militante e democrático acontecem – e, talvez, só pudessem acontecer – numa situação nacional específica e claramente mais favorável à esquerda, representada pela 3ª vitória presidencial liderada pelo PT. O fato dessa situação nacional coincidir com a crise do neoliberalismo no plano internacional abre, na nossa avaliação, um novo período político marcado pela possibilidade de conquista de hegemonia do socialismo democrático na construção da alternativa ao neoliberalismo que está em curso no Brasil e que tem suas projeções internacionais especialmente na América Latina.
As mudanças aprovadas pelo 4º Congresso apontam para o encerramento de um período de defensiva na construção partidária. Do nosso ponto de vista é possível viabilizar o crescimento do partido em novas bases organizativas, dirigindo-se aos amplos setores beneficiados pelo nosso governo e que podem vir a ser protagonistas políticos desse projeto, fazendo-o avançar em sua perspectiva transformadora.
Atuamos decisivamente para o partido reconquistar elementos fundamentais, democráticos e socialistas, da organização histórica do partido, que estiveram em baixa durante tanto tempo.
Nota de repudio da UNE ao assassinato do estudante africano Toni Bernado.
O estudante africano Toni Bernardo da Silva, intercambista de Guiné-Bissau no curso de economia de Universidade Federal do Mato grosso, no dia 22 de setembro foi retirado à força do interior de uma pizzaria e espancado até a morte por dois policiais à paisana e um empresário, em Cuiabá. Os agressores alegam que o rapaz pedia dinheiro no interior do estabelecimento. O jovem seria pai no próximo mês.O cenário bárbaro, onde um jovem negro é morto de forma injustificável, é também o panorama onde milhares de jovens são mortos em ações de controle, onde o racismo assume as prerrogativas do Estado. Segundo o Mapa da Violência de 2011, as mortes de jovens negros é proporcionalmente mais que o dobro (127%) a de jovens brancos.
A UNE repudia e combate as ações policiais que caracterizam a violência e o extermínio da juventude negra. São, crimes como este que roubam da juventude a dignidade e o direito à vida, interrompendo caminhos que progressivamente têm sidos buscados e alçados.
A UNE está na luta no combate ao racismo para a construção de uma sociedade justa e igualitária onde a procura de um novo futuro não seja eliminada pela violência.
Cristian Ribas
Diretor de Combate ao Racismo da União Nacional de estudantes.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Uma nova política para uma nova geração

Publicado originalmente no site da Carta Maior
“Se não nos deixarem sonhar, não os deixaremos dormir”
Faixa nas Manifestações da Espanha
“Chega de realizações, queremos idéias”
Pixação nas Manifestações do Chile
Na contramão daqueles que anunciaram o fim da história e a extinção das ideologias, os acontecimentos recentes têm posto em xeque o neoliberalismo financeiro e o imperialismo norte-americano. A crise atual, de forma direta ou indireta, tem patrocinado a ocupação das ruas de todo o mundo, como deixam evidente a primavera árabe, o verão europeu, as manifestações da juventude chilena e o recente movimento Ocupando Wall Street.
As motivações para essas manifestações são as mais diversas, vão desde protestos por liberdades políticas em regimes ditatoriais até reivindicações por ampliação de direitos em regimes democráticos, passando por manifestações contra os lucros e ganhos exorbitantes das grandes corporações e bancos. Apesar dessa variedade de motivos há pelos menos dois pontos em comum entre essas insurgências: a presença central da juventude e utilização constante de canais virtuais.
Nos últimos anos, uma série de análises – a direita e a esquerda – não cansaram de apontar uma suposta alienação dos jovens. É bem verdade que a juventude da passagem do século XX ao XXI não empunhou ideais revolucionários, utópicos e socialistas como aquela geração dos anos 1950 aos 1970. No entanto, isso não significa que essa nova geração seja completamente despolitizada ou que não tenha desejos de mudança, a questão é que ela manifesta seus anseios a partir de uma gramática política diferente: os jovens desse início de século XXI acreditam na política, mas não crêem em partidos; reconhecem a importância da coletividade, mas almejam crescer individualmente; buscam transformações, mas são pouco afeitos a rupturas; anseiam por novas idéias, mas são também pragmáticos.
Essas expectativas ambivalentes têm se convertido em novos caminhos de ação política: algumas formas de contestação vieram à tona, animadas pelas novas tecnologias e pelas novas redes de interconexões.
A nova linguagem para se compreender o poder e o novo método de se fazer a política repousam sobre alguns elementos fundamentais: a cultura digital e a participação não-hierárquica e não-segmentada. Daí o gosto por causas que sejam amplas e que contestem a política tradicional: como a defesa do meio-ambiente e da diversidade ou o ataque contra a corrupção e os ganhos exagerados de empresas, tudo sempre regado à defesa da ampliação da liberdade na internet e à ampliação de formas democráticas mais radicais e participativas.
Além disso, as novas formas de manifestação e mobilização da juventude, de alguma maneira, revelam a perda de prestígio das organizações tradicionais como partidos e sindicatos. Entretanto, é preciso ler nas entrelinhas: as movimentações não-partidárias ocorrem não porque há uma descrença na política, e sim porque há um maior interesse na política. As agitações ocorrem porque os jovens já não se vêem representados em instâncias políticas excessivamente institucionalizadas e burocratizadas, por isso buscam a participação direta em movimentos políticos mais abertos e arejados. Não se trata de recusar a política, mas de afrontá-la para que ela se transforme.
Sendo assim, as tradicionais organizações partidárias e os novos movimentos não-partidários não devem ser encarados de forma antagônica, mas de modo complementar. Por um lado, se esses novos movimentos não dialogarem com programas políticos capazes de implementar mudanças reais, eles tendem ao esvaziamento. Por outro lado, se os partidos não interagirem com esses novos ideais de transformação eles tendem à obsolescência.
A ausência de canais entre os movimentos e os partidos serve para a resistência daqueles e para a conservação desses, mas não contribui para a construção coletiva de alternativas. É fundamental que os partidos socialistas e de esquerda se empenhem e colaborem na construção de uma nova política para uma nova geração.
Gabriel Medina é Presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE) e militante da JPT e da tese Avante!
É pra morrer de rir!!! Fernando Jordão no CQC - 03/10/2011
Trata-se de uma rápida entrevista que o 2º suplente de deputado Federal do bloco PMDB/PSC no RJ, concedida para o programa CQC - CUSTE O QUE CUSTAR - do canal Bandeirantes, que vai ao ar todas as segundas feiras, na parte da noite.
O mesmo não soube responder a questões simples como por exemplo: o que significa CPMF, ISS e PMDB (seu partido).
Isso mesmo!!! Não é mentira!!! Ele não sabe o significado da própria sigla partidária!!!
Pra quem pensa que estou brincando, entra e veja!!!
Rsrsrsrs!!!
Simplesmente foda!!!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Entrevista: Joanna Paroli (Parte 2)
Acompanhe a seguir a segunda e última parte da entrevista de Joanna Paroli, sobre o II Congresso da JPT.
Blog Avante!: No último congresso do PT a juventude conquistou algumas importantes vitórias, como a garantia da presença de pelo menos 20% de jovens nas direções do partido e a formalização, no Estatuto, da JPT como instância partidária e não mais um setorial. Qual o impacto que essas medidas terão no dia-a-dia da juventude petista?
Joanna Paroli: Em primeiro lugar, é muito importante o reconhecimento da dimensão estratégica que é a juventude, para o PT e o sucesso do nosso projeto no Brasil. Internamente, precisamos cada vez mais de um Partido democrático e militante, e de uma juventude mais fortalecida para disputar seus rumos. O IV Congresso acenou muito fortemente para a renovação como necessidade na nossa organização partidária. Não só os 20% de jovens, mas também a paridade entre homens e mulheres nos espaços de direção caminha nesse sentido. E a formalização, no Estatuto, do entendimento da JPT como instância e a importância de valorizá-la política e materialmente, abre muitas possibilidades para os próximos anos.
A!: Apesar da mudança oficial no Estatuto ter acontecido só este ano, na prática a última gestão da JPT já funcionou sem o status de mero setorial. Que balanço você faz desta primeira gestão? O que fazer para melhorar?
JP: Apontamos algumas avaliações na nossa Tese. De forma geral, é difícil fazer um balanço pleno antes dos Congressos Estaduais, que devem acontecer em outubro, na maioria dos estados. Mas a compreensão geral no período que antecedeu o 1° Congresso era o de que o modelo setorial era incapaz de dar resposta às demandas e desafios da juventude e do Partido. Precisamos instituir direções municipais que capilarizem as discussões encaminhadas na instância nacional e estadual e dê vida ativa à nossa juventude. Nessa gestão, tivemos bons momentos de mobilização, como a Caravana Nacional nas eleições de 2008 e o Encontro Nacional em 2010. Entretanto, no conjunto das atividades, acumulamos pouco para a construção política da JPT. Para além do modelo organizativo, é preciso pensar uma diretriz política que organize a próxima gestão e faça o diálogo com os estados e municípios.
A!: No I Congresso, a juventude trabalhadora foi considerada como prioridade para a organização da JPT. Qual balanço que você faz da atuação da JPT nesta frente e qual é o caminho para a realização de um debate efetivo com esses jovens?
JP: A temática da juventude ocupa cada vez mais espaço nas discussões acadêmicas e institucionais. Isso é resultado de muito convencimento orquestrado pelas entidades juvenis e, em especial, pelo PT. O debate da juventude trabalhadora também teve um alcance gradativo. Na CUT, por exemplo, foi só a partir de 2007 que se definiu uma pauta concreta de reivindicação. Para esse segmento, em específico, acredito que o maior dilema seja o de conciliar o tempo de trabalho e estudo. É preciso mais políticas públicas que valorizem o direito ao tempo livre e acesso ao lazer e bens culturais para as juventudes. Em paralelo, é necessário fortalecer a agenda do trabalho decente, combatendo mecanismos de precarização e flexibilização das relações de trabalho que afetam duramente a vida dos jovens. Deve ser assegurado o direito ao acesso e permanência na sala de aula, no Ensino Médio e Superior, evitando a entrada precoce do/da jovem no mundo do trabalho. Essa foi uma pauta importante no I Congresso da JPT e que se mantêm neste II Congresso.
A!: Quais serão os principais debates deste II Congresso da JPT?
JP: O II Congresso da JPT acontecerá num ano de muitas agendas das lutas juvenis. Os Congressos da UNE e UBES, II Festival das Juventudes de Fortaleza e a II Conferência Nacional de Juventude foram e serão terrenos fundamentais para a disputa, consolidação e avanço das PPJ’s. O nosso Congresso precisa, além de acumular em temas mais gerais, como a Reforma Política e a questão agrária, pensar numa intervenção pra dentro. É importante formular uma política que conduza a organização de base da JPT, pautada no fortalecimento do processo de formação dos filiados e militantes juvenis e da importância da discussão feminista no interior da nossa juventude. Somado a isso, penso que a juventude deve ser o setor de vanguarda no PT, articulando pautas que dialogam com a dimensão das liberdades individuais, com o respeito à diversidade como estruturante das relações sociais, como a luta pela legalização do aborto e autonomia das mulheres. Para isso, é preciso sair do II Congresso com uma campanha pública, que em nossa opinião deve ter o mote dos “Direitos da Juventude”, que cumpra o papel de mobilizar a juventude petista militante e disputar os valores do conjunto da juventude brasileira.
AVANTE! Combater o racismo, conquistar direitos e promover a autodeterminação da juventude negra.
Resultado legitimo das lutas de classes no Brasil, o Partido dos Trabalhadores apresenta-se como o instrumento de representação da classe trabalhadora em nosso país. Tanto no campo quanto na cidade, este elemento é fundamental no processo de superação do capital e das transformações social que tanto desejamos.
Consideramos que a juventude é hoje o principal capital político do partido, nossos(as) jovens militantes constroem lutas em diversas frentes de atuação, onde cada vez mais assumimos papel protagonista na construção partidária e nos direções do movimento social brasileiro.
Cabe a juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) a responsabilidade de promover ao centro de sua plataforma programática a defesa intransigente do caráter emancipatorio da luta antiracista, compreendendo a relação histórica que concatena a opressão de classe e a opressão etnico-racial em nosso país.
Compreender o racismo como instrumento que legitima a desigualdade sistêmica de oportunidades e como um processo histórico, desestruturante da condição humana, em função do caráter exploratório de um grupo étnico socialmente hegemônico sobre outro, nos é apresentado como caminho de superação das desigualdades, a luta política.
O combate ao racismo e a luta pela promoção da igualdade racial deve vir acompanhada de uma perspectiva mais ampla da compreensão da luta social e os esforços a serem empregados em uma disputa por uma sociedade justa e solidaria.
A busca pela superação do paradigma do racismo e pela conquista da cidadania efetiva da juventude negra brasileira passa pela dinâmica de organização e ampliação das articulações que objetivam na luta contra racismo e na superação do sistema capitalista a conquista de uma vida digna para jovens negros e negras, apresentando a juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT) e os movimentos de juventude negra como os principais atores deste processo.
Enegrecendo as lutas juvenis
No Brasil após a primeira experiência de um governo progressista e com grande base popular observou-se uma melhoria nas condições de vida da juventude brasileira no que diz respeito à ampliação dos direitos, como o acesso a educação, aumento dos postos de trabalho, melhoria nos serviços de saúde, entre outros indicadores, contudo os avanços conquistados não foram suficientes para barrar o crescimento da escala de violência e abandono vivenciada pela juventude negra de nosso país.
No que diz respeito ao acesso aos direitos básicos e imprescindíveis para a dignidade humana, recaem sobre a juventude negra os piores índices sobre avaliações ligadas às condições de precariedade que envolve o mundo do trabalho, acesso a educação superior, serviços de saúde e direito a justiça, tornando estes índices mais acentuados quando se faz o recorte de gênero.
O combate a pobreza extrema, reorientação do tratamento dada à juventude negra por parte do aparelho de segurança do Estado, discriminalização do aborto, direito a cidade, acesso ao ensino superior e políticas que garantam o fim do trabalho escravo e precário, são frutos de políticas publicas que dialogam com a realidade vivenciada pela juventude negra brasileira e que somente serão implementadas se forem compreendidas como elementos estruturais na constituição de uma agenda estratégica em um novo projeto nacional de desenvolvimento que objetive a superação das opressões e o advento de uma sociedade de solidariedade, feminista e multienica.
Por uma JPT com a cara da juventude brasileira.
Para que a juventude do PT possa incorporar com qualidade as demandas da juventude negra brasileira, se faz necessária a ampliação da representação de nossos jovens negros e negras na dinâmica dirigente da JPT assim como do partido como um todo.
A grande conquista que foi a aprovação da paridade étnica racial na direção da JPT no I ConJPT nos instrumentalizou para enviarmos um importante recado a conjunto do partido, de que a nossa “práxis” é resultado do nosso compromisso com a construção e organização partidária e referenciada na luta pela emancipação das classes populares e oprimidas.
A construção do partido revolucionário capaz de conduzir o novo bloco histórico, dirigindo as tarefas da revolução democrática, sendo assim promotor das transformações sócio-políticas e econômicas rumo a uma nova sociedade, deve cada vez mais promover em seu interior a participação de jovens homens e mulheres negras em seus espaços de direções.
Clédisson Júnior é militante do Coletivo Nacional de Juventude Enegrecer* e assina a tese Avante! ao II ConJPT.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Entrevista exclusiva de Joana Parolli

Ainda assim, tem gente que gosta.
Pouco mais de um mês após o fim de seu mandato na direção da UNE, Joanna Paroli demonstra não ter nenhuma intenção de largar essa correria. Candidata do movimento Avante à Secretaria Nacional da JPT, ela se prepara novamente para deixar Salvador e rodar o Brasil de norte a sul para apresentar e debater a tese da sua chapa com a juventude petista.
Blog Avante!: Apesar da pouca idade, você já tem um histórico de pelo menos 8 anos de militância política. O que mudou da Joanna diretora de grêmio estudantil para a Joanna candidata à direção da juventude do maior partido de esquerda do país?
Joanna Paroli: Os valores, aqueles que se amparam na busca por uma nova dinâmica social, em que haja mais solidariedade e equidade, se mantiveram muito sólidos. Agora, ao longo dessa jornada foram agregadas outras vivências e responsabilidades crescentes. Sem dúvida, a opção de me organizar num partido de orientação socialista e assumir essa tarefa partidária como prioridade foram definidores. No mais, houve um processo natural, com algumas dificuldades, mas sobretudo, de construção coletiva. Portanto, essa candidatura é fruto de uma ampla mobilização, que agrega jovens petistas dos mais diversos setores e estados, com um programa afinado que entende a juventude como sujeito ativo da Revolução Democrática. Temos a convicção de que a juventude brasileira tem o potencial para ser a força motriz do aprofundamento das transformações experimentadas em nosso país. Sendo assim, convocamos o conjunto da militância jovem do PT a conhecer o Movimento Avante e participar das discussões que surgirão pós II Congresso da JPT.
A!: Como sua experiência na direção da UNE pode ajudar em uma eventual gestão como Secretária Nacional da JPT?
JP: Considero a UNE uma grande porta-voz da juventude brasileira. Inclusive, a JPT bebeu muito das experiências cumuladas nos 74 anos de história da entidade e, em contrapartida, influenciou muito nos rumos dela. As lutas organizadas pela UNE são reflexo das demandas juvenis, que se mantêm atuais. A bandeira do acesso à educação pública de qualidade e das ações afirmativas, por exemplo, têm influência direta na garantia de oportunidades e direitos à juventude. Além disso, o constante diálogo e pactuação política com o conjunto dos movimentos sociais e outras organizações de esquerda colocam muitos desafios aos/às dirigentes da UNE. Os dois anos em que militei na entidade foram de muita luta, mobilizações, diálogo e formulação política. E, óbvio, sabemos que a maior parcela desse segmento está fora das salas de aula e é tarefa do ME, em conjunto com outras entidades juvenis, pensar estratégias e cobrar, com firmeza, os governos.
A!: Os veículos da grande mídia frequentemente “convocam” o movimento estudantil a protestar contra os governos do PT. A tese deles é que o governo Lula teria cooptado o movimento estudantil e, por isso, a pressão do movimento teria diminuído em relação ao período de Collor e FHC, por exemplo. Como você vê essas críticas? Qual a diferença de fazer movimento estudantil nos anos 90 e nos anos 2000?
JP: A grande mídia no nosso país tem lado e posição. Está a serviço das elites e do poder econômico, e se movimenta como tal. Nos dias de hoje, atacam a UNE, CUT e o MST, símbolos da esquerda brasileira, também como meio de conter o processo de consolidação da consciência popular anti-neoliberal. A juventude está mais otimista e o partido de maior referência da população é o PT. O movimento estudantil é agente político importante e deve assumir as tarefas do seu tempo. Além disso, as gerações constroem sua identidade apropriando-se das lutas latentes do período, conduzindo eventos marcantes e constituindo uma memória coletiva. A geração de 90 construiu o “Fora Collor” e protagonizou a resistência ao governo longo e desastroso de FHC. Naquela época estava sendo implementada a política da exclusão, de muitas privatizações e investimento zero na universidade pública. Nos anos 2000, rompemos com o avanço neoliberal e foi aberto um momento de grandes possibilidades para a classe trabalhadora. Passou a ser um governo em disputa e com suas contradições. Nossa geração tensiona essa condição, quando discute a reforma universitária, a defesa das cotas, o Pré-sal e o PNE. Há algumas semanas, a UNE e a UBES realizaram uma grande marcha em Brasília pelos 10% do PIB para a educação, que reuniu dezenas de milhares de jovens. Hoje, é investido menos de 4%, é urgente ampliar o financiamento público na educação!
A!: Quais são as principais políticas públicas que estarão na pauta de reivindicações da JPT frente ao Governo Federal no próximo período?
JP: A JPT, tanto na sua tarefa partidária como quando na militância cotidiana no movimento social e na esfera institucional, não deve titubear na defesa radical do programa socialista. Isso significa unificar as agendas e construir mobilização popular. O Governo Dilma precisa aprofundar as mudanças promovidas nos últimos 8 anos. Por exemplo, a inclusão social deve ser combinada com mais distribuição de renda e construção de autonomia. No bojo das PPJ’s (Políticas Públicas de Juventude), é necessário desenvolver uma Política de Estado, com marcos legais e planejamento, além de implementar os Programas já existentes, como o PROJOVEM e o PROUNI. É preciso ter mais vitórias referentes às políticas educacionais e um bom momento para isso será a votação do Plano Nacional de Educação – PNE, ainda este ano, na Câmara. E, com muita centralidade, precisamos fortalecer a CUT e influenciar na agenda pelo trabalho decente.



